Chegamos pela primeira vez em Famalicão em 27 de Setembro de 2008. A acácia estava esplendorosa. Um número pequeno de pessoas aguardava à entrada da escada. O motorista do táxi que nos conduziu , nunca ouvira falar da tragédia da casa de Seide. Acho que ficamos quase uma hora na visita, e colhi pedrinhas do quintal.
Deparei-me com a fotografia na parede, a mesma fotografia que vira inexplicavelmente revelar-se gradualmente à minha frente um ano antes. Poucos na sala sabiam o que significava para mim adentrar àquela casa. A família que ali vivera no século XIX, dera-me por incumbência devolver o pequeno livro perdido da escritora. Preferi entregá-lo em Lisboa. Percorrendo os corredores da casa, tive a mesma sensação de quem acorda depois de um grande temporal. Tudo estava calmo novamente. Seu Manoel Machado o motorista, ouvia intrigado a explicação da locutora itinerante sobre os acontecimentos de 150 anos antes. Ele nada conhecia, acho que nunca se importara com literatura portuguesa, ele mesmo chegou a esta conclusão. As minhas companheiras de viagem, às vezes me olhavam com interesse, enquanto observavam: mesas, cadeiras, objetos pessoais. Filmamos e fotografamos o que foi possível. Nunca saberemos exatamente minha relação com a História dos Plácidos/Castello Branco, mas com certeza eu os conheci, eu estive lá. Descansa na minha estante um exemplar do segundo livro da escritora - Luz Coado por ferros, 1863 com a foto de Anna Augusta Plácido, esposa de Camilo. Foto colada pela própria, que mais uma vez, por puro acaso chegou-me às mãos. A Casa de Seide possui um biblioteca climatizada e provavelmente entregarei, sob tutela, este exemplar raríssimo com a fotografia. E tudo volta ao seu lugar.
Luisa Ataide
Deparei-me com a fotografia na parede, a mesma fotografia que vira inexplicavelmente revelar-se gradualmente à minha frente um ano antes. Poucos na sala sabiam o que significava para mim adentrar àquela casa. A família que ali vivera no século XIX, dera-me por incumbência devolver o pequeno livro perdido da escritora. Preferi entregá-lo em Lisboa. Percorrendo os corredores da casa, tive a mesma sensação de quem acorda depois de um grande temporal. Tudo estava calmo novamente. Seu Manoel Machado o motorista, ouvia intrigado a explicação da locutora itinerante sobre os acontecimentos de 150 anos antes. Ele nada conhecia, acho que nunca se importara com literatura portuguesa, ele mesmo chegou a esta conclusão. As minhas companheiras de viagem, às vezes me olhavam com interesse, enquanto observavam: mesas, cadeiras, objetos pessoais. Filmamos e fotografamos o que foi possível. Nunca saberemos exatamente minha relação com a História dos Plácidos/Castello Branco, mas com certeza eu os conheci, eu estive lá. Descansa na minha estante um exemplar do segundo livro da escritora - Luz Coado por ferros, 1863 com a foto de Anna Augusta Plácido, esposa de Camilo. Foto colada pela própria, que mais uma vez, por puro acaso chegou-me às mãos. A Casa de Seide possui um biblioteca climatizada e provavelmente entregarei, sob tutela, este exemplar raríssimo com a fotografia. E tudo volta ao seu lugar.
Luisa Ataide
nota do blog- Nesta casa viveu a escritora Anna Augusta Plácido.Os primeiros anos de casada com o comerciante Manoel P.Alves e anos mais tarde com o escritor Camillo C. Branco, local onde este tirou a própria vida. .A casa findou-se em cinzas em 1915, foi reconstruída anos depois. Há no rez-de- chaussée uma sala com livros e objetos pessoais.


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