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quarta-feira, 18 de março de 2009

TIMIDEZ



CECÍLIA MEIRELES

Basta-me um pequeno gesto
feito de longe e de leve
para que venhas comigo e eu para sempre te leve...
- mas só esse eu não farei.
Uma palavra caída das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares e une as terras distantes...-
palavras que não direi.
Para que tu me adivinhes
entre os ventos taciturnos
apago meus pensamentos
ponho vestidos noturnos
- que amargamente inventei.
E, enquanto não me descobres
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo
até não se sabe quando...
- e um dia me acabarei

domingo, 15 de março de 2009

EM FREIO



E eu vos direi, no entanto
Que, para ouvi-Ias, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto"
Ora direis, ouvir estrelas - Olavo Bilac



Há um trem desgovernado que, em uma das estações do ano, acelera em declive. O maquinista em hipnose voluntária esqueceu-se que é o maquinista e as três da tarde observa inebriado as estrelas. Os que estão lá fora gritam-lhe o desatino. Ele em doce insanidade caminha pelos vagões vazios e, sob teto de vidro, respira o ar noturno. A locomotiva acelera em cada curva. Clark Kent agora abre a camisa , sobe ao telhado e dança. A brisa toca-lhe os ombros e derruba o quepe. Então o maquinista dança com a noite sobre teto de vidro. É menino em desavisada valentia.
Os que estão na estação observam impacientes e decidem: há que se parar o trem. Os futuros passageiros preparam-se, juntam pedras e as acumulam sobre os trilhos. Há um aviso em vermelho no canto da bilheteria. A mulher que vende doces ao lado da bilheteria aponta o aviso .
“ Protejam as crianças”.
O trem avança e apita, ainda há pedras sobre os trilhos. A locomotiva sai da curva em rápida tangente. Os passageiros olham o céu, olham-se muitas vezes e gesticulam. Uns jogam pedras, outros benzem-se. O homem sobre o teto ainda canta.
L.A

terça-feira, 10 de março de 2009

FLORBELA




Longe de ti são ermos os caminhos
Longe de ti não há luar nem rosas,
Longe de ti há noites silenciosas
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!
Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas
Tuas mãos doces, plenas de carinhos!
Os dias são Outono: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...
Invoco o vosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amor, pelos espaços
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...

Fumo- Florbela Espanca

domingo, 8 de março de 2009

A IMENSIDÃO DOS SENTIDOS



"O universo é a projeção da Mente Divina, e nós como criação, vivemos interdependentes no Idealismo Superior. Somente quando tomamos consciência da necessidade de fazer uma perfeita conexão com nossa profundidade sagrada é que passamos a ter uma ampla visão de unidade com a vida Cósmica. È preciso ancorarmos nossos alicerces na base divina que há em todos nós." - A Imensidão dos Sentidos - Francisco do Espírito Santo Neto, pelo espírito de Hammed - Editora Boa Nova

Astrologia, quiromancia, baralho egípcio, os pêndulos de cristais, os livros milenares do conhecimento e tantos outros caminhos se estendem dando aos quatros marcos cardeais múltiplos infinitos. Buscamos a felicidade em diversas trilhas . Toda procura é valida se respeitada a individualidade cósmica que somos e a do sujeito que está ali no banco da frente. A felicidade que buscamos é um copo de água refrescante, tem existência limitada. A irmã sede é criança inquieta , e novamente nos puxará pela roupa. Imagine , como fazia Exupery, um deserto abrindo-se e poços de água escondidos em diversos pontos. Somos todos viajantes sem mapa ou bússola a procura de um poço de água fresca. Sob céu noturno as estrelas conduziram os primeiros aventureiros do planeta em busca de terras distantes. Como decifraram, sem prévio conhecimento, a rota dos desertos e dos mares? Na verdade aquele primeiro viajante que olhou o céu tentando decifrar os pontos luminosos , num exercício de observação, desatou as amarras dos sentidos.Toda resposta as nossas indagações são possíveis de serem achadas. É um vasto caminho de observação interior. Às vezes, é preciso embaralhar os sentidos. Ver é muito mais que captar imagens na retina. É possível ver pela tela mental em sala escura, é possível ouvir do mesmo modo. A boca, o olho , a pele, a língua e o ouvido são antes de tudo parte do corpo fluídico que possuímos. È possível estendê-los como uma linha elástica e usá-los para o autoconhecimento. Ver pelo que ouvimos, soltar as palavras pelos olhos, captar sabor e cheiro pelo tato. Todos, sem exceção chegaremos à plena consciência da multiplicidades das existências. O aprendizado do amor ao próximo é ponte que encurta caminho. Antes de tudo para a maioria das pessoas com as quais cruzamos na rua, incluindo nós mesmos, o maior de todos os desafios é aprender a aceitar os que estão ao nosso redor. O Rabi da Galiléia só veio ao mundo para nos ensinar esse amor que nos parece um exagero : O Amor Incondicional. Milhares e milhares de por do sol ainda viveremos até atingir o aprendizado que precisamos e subir um pequeno degrau. Ninguém fica parado no meio da viagem. A quantidade de chegadas e partidas é mérito que nasce de nossas escolhas.

L.A
Cada pessoa possui um filtro que capta o mundo e reaje aos estímulos de uma maneira peculiar. Esse filtro mental é a fonte de nossos talentos - Site: Anjos de Prata.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

ROCKABILLY





Rockabilly é um dos inúmeros subgêneros do rock and roll. Tornou-se conhecido durante os anos 50, devido a artistas norte americanos. Durante aquela década, o gênero foi impulsionado por batidas atrativas, guitarras e contrabaixos acústicos que eram tocados usando a técnica slap-back (batendo nas cordas, ao invés de puxá-las individualmente).
Embora o rockabilly seja considerado como tendo surgido no início dos anos 50, quando BILL HALEY começou a misturar jump blues com electric country, pode-se dizer que surgiu pelo desenvolvimento da música country dos anos 40 - com artistas como: Tennessee Ernie Ford (Smokey Mountain Boogie), Hank Williams (Rootie Tootie), e Merle Travis (Sixteen Tons).
Nos anos 80 Stray Cats reacenderam um breve interesse no rockabilly.

( fonte: Wikipédia )

sábado, 10 de janeiro de 2009

P!Ru&T@$





Uma pirueta!

Duas piruetas!
Bravo! Bravo!

Super piruetas!Ultra piruetas!
Bravo! Bravo!

Salta sobre a arquibancada
E tomba de nariz

Que a moçada Vai pedir bis

Quatro cambalhotas!Cinco cambalhotas!

Bravo! Bravo!

Nove cambalhotas!Vinte cambalhotas!

Bravo! Bravo!
Rompe a lona,Beija as nuvens,

Tomba de nariz
Que a moçada vai pedir
BIS!


CHICO BUARQUE

domingo, 28 de dezembro de 2008

POEMA DOS ÚLTIMOS DIAS

"Quando o sol vai caindo sobre as águas
Num nervoso delíquio d’oiro intenso,
Donde vem essa voz cheia de mágoas
Com que falas à terra, ó mar imenso?..." _ ( Florbela Espanca, Vozes do Mar)


Em toda praia há cardumes
Não é possível ver os peixes entre corais iluminados
Só o cheiro acre dos restos na areia.
Em todo poeta há um verso inacabado
Destes que habitam o pensamento
Moram atravessados entre os dentes .
Temo pelos meninos que chegam ao mundo
Sem pipa, passaraio e bola de gude.
Temo pelos dias que chegarão em caixas
Fechados, sem códigos ou chaves.
Sonhei com um dia claro
Um jardim pontilhado de colunas
Água e flores entre elas .
Meus três filhos cantavam no meio das águas
Seus rostos brancos como cera
Seguravam entre as mãos a lucidez perdida.
Vim ao mundo para atravessá-los
Sem bote nem salva-vidas
Só os quatro e o arrastar das águas.
O barulho das ondas mescla-se com o vento e canta fino como um lamento .
São as vozes dos anjos , dos meninos e dos peixes
Puxo-lhes os pés gelados, seguro-os pelos braços.
Há luz na praia, uma fogueira acesa .
Em toda areia florescem cardumes de rosas
Corais de magnólias e perfumes de jasmins.
Há versos e flores entre cabelos
Canções de infância e dias azuis
amarelos, verdes, brancos, infinitamente brancos.

Luísa Ataíde

sábado, 27 de dezembro de 2008

PASSATEMPO




Teoria de passatempo,
Para quando passa o ano,
É buscar no isolamento
Passar a limpo uma agenda.

Aponto os amigos velhos
Que se foram do calendário?
Escrevo velhos amigos
Que fogem do abecedário?

Uns, de volta à de solteiro;
Outros, de novo casados.
Uns, não mudam de endereço;
Outros, conforme o salário.

Tens minha agenda lugar,
Para um tipo de inquilino,
Presente quando é calor,
Mas no frio dobra esquina?

Pessoas há de passagem,
Cartão de visita dobrado,
Mas são sorrisos de ontem,
Amanhã, noutra paisagem.

Fiéis amigos de uma vida,
Numa agenda de papel,
São letras de eterna escrita
Sagrada num livro do Céu.
LUIZ MARTINS

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

PLENA MULHER


Plena mulher, maçã carnal, lua quente,
espesso aroma de algas, lodo e luz pisados,
que obscura claridade se abre entre tuas colunas?
que antiga noite o homem toca com seus sentidos?
Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas,
com ar opresso e bruscas tempestades de farinha:
amar é um combate de relâmpagos e dois corpos
por um só mel derrotados...
.
PLABO NERUDA

sábado, 6 de dezembro de 2008

DE NOVO , O NATAL

Galeries Lafayette- Paris
    "Se queremos um mundo de paz e de justiça temos que pôr decididamente a inteligência a serviço do amor." (Antoine de Saint-Exupéry)
Para uns o Natal tem gosto de infância
Papel colorido embrulha sorrisos.
Para as mães é família
Barulho de gente, risadas borbulham em volta da mesa.
Para outros é sopro por entre os cabelos
Que leva os cachos dourados dos anjos
Prá dentro das almas de todos os homens.
A legião de sofridos, agora meninos
Espalham-se nas nuvens
Balançam felizes os sinos da igreja
Arrastam-se nos vidros dos arranha-céus.
As mães, da cozinha, se assustam e gritam:
− Devolvam os meninos, porque é Natal!
Natalino, o Espírito, é pura bondade
Retira das almas dos homens os cachos dourados
Espalha em guirlandas* nas portas das casas.
Os meninos embrulham presentes em papéis coloridos
Abrem as portas para todos os outros entrarem.
As mãos misturam-se em volta da mesa
Agradecem, afagam, de novo é Natal.
L.A
Dez//2008

domingo, 30 de novembro de 2008

ÉRICO SANTOS e sua perspectiva cromática
















"A pintura de Érico Santos se constrói sobre uma das inovações artísticas mais interessantes e férteis da história do mundo ocidental, a sugestão, que aparece com Giotto e Van Eyck no século XIV, embora tenha existido, alguns séculos antes, na China. Basicamente, ela consiste em apresentar um aspecto parcial da realidade ou dos fatos, na suposição de que a memória e a imaginação do espectador consigam, de acordo com o próprio repositório de lembranças e a inventividade pessoal, completar, e até ampliar, o tema proposto. Observemos uma das telas de Érico: ele não nos dá a imagem integral, retiniana. Ele nos dá uma espécie de leit-motiv óptico, um gatilho deflagrador. Para quem vê, trata-se quase de uma "imagem desfocada". Não se vêem os detalhes na tela, mas apenas grupos de detalhes, uma figura geral. Em síntese, Érico não se interessa pela reprodução da cena exterior, mas por uma re-produção imagética, que conta com a adesão do mundo mental, sobretudo do mundo imaginativo do contemplador "- Armindo Trevisan


Tudo sobre o pintor em http://www.ericosantos.com.br/

sábado, 29 de novembro de 2008

ATRÁS DO PENSAMENTO




















Atrás do pensamento tem uma cidade
Ruas de pedras
Luz de lamparina.
Tem um homem velho que tece fios intermináveis
E limpa as remelas dos olhos de
quando em vez.
Atrás do pensamento tem um pássaro pousado sobre o muro
Que olha em volta e procura.
Um sino toca sempre de hora em hora .
No meio da rua de pedras
A mulher dança de pés no chão e vestido negro
Sob os cabelos dúzias de devaneios.
Toma sopros de vidros entre os dedos e os joga no ar.
Atrás da mulher tem um tocador de BumboRetumba compassadamente e espanta o pássaro.
Atrás do pensamento
Tem uma cidade
Ruas de pedras
Um muro vazio.
O homem , sob a lamparina lacrimeja de hora em hora
E a mulher ?
Cobre os ouvidos e
Dorme sobre as pedras.

L.A

Óleo sobre tela Steven Kenny - quer ir além?, ckick em


quarta-feira, 19 de novembro de 2008

O PODER DAS PALAVRAS



“Se me disseres que me amas, acreditarei.
Mas se escreveres que me amas,
Acreditarei ainda mais.
Se me falares de saudade, entenderei.
Mas se escreveres sobre ela,
eu a sentirei junto contigo.
Se a tristeza vier a te consumir e me contares,
Eu saberei.
Mas se a descreveres no papel,
o seu peso será menor.”
…e assim são as palavras escritas:
possuem um magnetismo especial,
libertam, acalentam, invocam emoções.
Elas possuem a capacidade de, em poucos minutos,
cruzar mares, saltar montanhas,
atravessar desertos intocáveis.
Muitas vezes, infelizmente, perde-se o autor,
mas a mensagem sobrevive ao tempo,
atravessando séculos e gerações.
Elas marcam um momento
que será eternamente revivido
por todos aqueles que a lerem.
Viva o amor com palavras faladas e escritas.
Mate saudades, peça perdão, aproxime-se.
Recupere o tempo perdido, insinue-se
Use a palavra a todo o instante,
de todas as maneiras.
Sua força é imensurável.
Lembre-se sempre do poder das palavras.
“Quem escreve constrói um castelo,
E quem lê passa a habitá-lo”

Texto de autor desconhecido, do blog de Suzana Duboc : eclipse com amor
( enviado por Ana Faleiros)

sábado, 15 de novembro de 2008

O AMOR BRASILEIRO POR PESSOA




Documentário feito em Portugal eleito um dos melhores do ano no Brasil "O amor brasileiro por Pessoa" vai marcar a exibição, pela primeira vez em Portugal, do documentário em três partes O Poeta Fingidor. Realizado pela GloboNews em Outubro de 2007 em Lisboa, foi transmitido no Brasil por ocasião dos 120 anos do maior poeta português do século XX. O evento vai contará com o grupo de teatro do Chapitô – com os actores a realizar pequenas “performances” tendo por tema as obras e os heterónimos de Pessoa, assim como a internacionalização dos seus escritos, no âmbito do Ano Europeu do Diálogo Intercultural.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O ENCANTADO

ÓLEO SOBRE TELA- Luisa Ataide (releitura de imagem da web)