segunda-feira, 16 de novembro de 2009
domingo, 15 de novembro de 2009
Poesia Linda
EMMANOEL - Psicografado por CHICO XAVIER
Alma gêmea de minha'lma...
flor de luz de minha vida....
Sublime estrela caída...
das belezas da amplidão
Quando eu errava no mundo...
triste e só, no meu caminho,
Chegaste, devagarinho,
E encheste-me o coração....
Vinhas na bênção das flores
Da divina claridade,
Tecer-me a felicidade
Em sorrisos de esplendor!!!
És meu tesouro infinito,
Juro-te eterna aliança,
Porque sou tua esperança,
Como és todo meu amor!
Alma gêmea de minha'lma,
Se eu te perder algum dia...
Serei tua escura agonia,
Da saudade nos seus véus...
Se um dia me abandonares,
Luz terna dos meus amores,
Hei de esperar-te, entre as flores
Da claridade dos céus."
(Gentilmente enviado por SUIA MACIEL)
sábado, 14 de novembro de 2009
“ (…) Apesar de todas as amizades, sempre na vida estamos sozinhos; o que é mais grave, mais doloroso, exactamente como o que é mais belo, passa-se apenas connosco. Entre um homem e outro homem há barreiras que nunca se transpõem. Só sabemos, seguramente, de uma amizade ou de um amor: o que temos pelos outros. De que os outros nos amem nunca poderemos estar certos”.
(Agostinho da Silva, “Sete Cartas a um Jovem Filósofo )
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
SONATA PARA UMA INSÔNIA
Luis Martins da Silva
Sete notas musicais,
Sustenidos e bemóis,
Deram-se em partituras,
Inclusive as atonais.
Mas melodia de chuva
Na madrugada inventada...
Quem a compôs monocórdia,
Mas de tão doce lavada?
Solfejo de uma nota só,
Tão somente si e si,
Ou se algum perdido dó
De brisa toca no vidro...
Percussão de xilofone,
Assovio de cupido,
Silêncio de grilos conspícuos,
Vez de pingos o alarido.
Alaúde, bojo mudo,
Toque de caixa somente,
Fofas notas sobre folhas,
Já salivação de húmus.
Por baixo se esgueiram gueixas,
Lascivas lesmas salientes,
A sair lambendo o mundo,
Agora, que o tempo deixa.
segunda-feira, 2 de novembro de 2009
Bons livros, Bons Companheiros
"Sei que existe uma razão para todas as coisas. É possível que no momento em que ocorre um determinado acontecimento não tenhamos nem o discernimento nem a visão antecipada para compreendermos a razão, mas com o tempo e paciência tudo virá a se esclarecer."
Brian Weiss- Muitas Vidas, Muitos Mestres, Editora Pergaminho
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
A POTENCIALIDADE PURA
DEEPACK CHOPRA
A primeira lei espiritual do sucesso, a lei da a potência pura, afirma que este é nosso estado essencial. Essa é a consciência pura, campo de todas as possibilidades e da criatividade infinita. Nosso corpo físico, o universo físico- tudo que existe no mundo material -, provém do mesmo lugar: de um campo de percepção silenciosa e imóvel, a partir do qual tudo é possível. Não há separação entre esse campo energètico e nossa essência espiritual, nosso Eu. Esse campo constitui nosso próprio Eu. E quando sabemos que nossa natureza essencial consta de pura pontencialidade, nós nos alinhamos com o poder que manifesta tudo no universo.
O conhecimento de quem realmente somos nos dá a capacidade de realizar qualquer sonho que tenhamos, porque o mesmo campo que a natureza utiliza para criar uma floresta, uma galáxia ou um corpo humano também pode efetuar a realização de nossos sonhos. Tudo é possível no campo da potencialidade pura, pois ele é a fonte de todo poder e inteligência, e da infinita capacidade de organização.
Portanto, o sucesso na vida depencde de sabermos quem realmente somos. Quando nosso ponto de referêmcoa interno é nosso espírito , nosso verdadeiro ser, experimentamos todo o poder dele. Quando nosso ponto de referência interna é o ego ou a autoimagem nos sentimos separados de nossa fonte, e a incerteza dos acontecimentos cria medo e dúvida. O ego é influenciado por objetivos externos ao Eu - circunstâncias , pessoas e coisas. É fortalecido pela aprovação alheia. Quer controlar, porque vive com medo. Mas o ego não é o que nós realmente somos: ele é nossa máscara social, o papel que interpretamos.
As necessidades de receber aprovação, de controlar as coisas e de exercer poder externo se baseiam no medo. Esse tipo de poder não é o poder da potencialidade pura, o poder do Eu, ou poder verdadeiro. O poder do Eu é poder autêntico porque se apoia nas leis da natureza , e vem do autoconhecimento. O poder do Eu atrai coisas que desejamos para nós: ele magnetiza as pessoas, as situações e as coisas para apoiarem nossos desejos. Esse apoio das leis da natureza é o estado de graça . Quando estamos em harmonia com a natureza, criamos uma ligação entre nossos desejos e o poder de levá-las à materialização .
Como você pode vivenciar a lei da potencialidade pura ? Uma forma de fazê-lo é através da prática do silêncio e da meditação. Significa desligar o mundo e reservar tempo para simplesmente ser. Na Bíblia há a expressão "Fique em silêncio e saiba que eu sou Deus". O silêncio é o primeiro requisito para a manifestação de nossos desejos, porque no silêncio você se connecta com o campo de percepção pura e de infinito poder organizador.
Imagine-se jogando uma pedrinha em um lago tranquilo e observando a formação de ondulações . È issso o que você faz quando entra em silêncio e introduz sua intenção.Mesmo a mais tênue provoca ondulações através do campo da consciência universal que conecta seu desjo com todas as outras coisas. Esse campo pode orquestrar para você uma infinidade de detelhaes. Mas se sua mente for como um oceano turbulento, você pode explodir uma bomba e não notar nenhuma alteração.
Praticar o não julgamento é outra forma de experimentar a lei da pontencialidade pura. E qundo você está constantemente julgando as coisas como certas ou erradas, boas ou más, acaba criando turbulência em seu diálogo interno. Essa turbulência restringe o fluxo de energia entre você e o campo de potencialidade pura. No espaço silencioso entre os pensamentos existe um estado de consciência pura, um silêncio interior que liga você ao verdadeiro poder. Por intermèdio da prática do não julgamento você silencia e a mente tem acesso a sua inquietude interior.
Outra forma de ter a experiência da potencialidade pura é passar momentos em contato com a natureza. Pela observação você começa a sentir a harmonia entre todos os elementos e força de vida. A pródiga manifestação de abundância no universo é uma expressão da mente criativa da natureza. Se você ligar na mente da natureza, terá acesso ao campo da potencialidade pura e criatividade infinita, e espontaneamente receberá pensamentos criativos.
Seja num curso de água, numa floresta, numa montanha ou no mar, a ligação com a inteligência da natureza lhe traz uma sensação de união com todas as form as de vida, dando -lhe suporte para entrar em contato com a essência mais íntima de seu ser. Essa essência está repleta de magia e mistério. (...)

Do Livro- As Setes Leis Espirituais do Sucesso- DEEPACK CHOPRA, Editora Best Seller.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
A MORTE NÃO É NADA

HENRY SCOTT HOLAND
"A morte não é nada. Eu somente passei para o outro lado do Caminho.
Eu sou eu, vocês são vocês.
O que eu era para vocês, eu continuarei sendo.
Me dêem o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como vocês sempre fizeram.
Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou vivendo no mundo do Criador.
Me dêem o nome que vocês sempre me deram, falem comigo como vocês sempre fizeram.
Vocês continuam vivendo no mundo das criaturas, eu estou vivendo no mundo do Criador.
Não utilizem um tom solene ou triste, continuem a rir daquilo que nos fazia rir juntos.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem, sorriam, pensem em mim.
Rezem por mim.
Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo.
Que meu nome seja pronunciado como sempre foi, sem ênfase de nenhum tipo.
Sem nenhum traço de sombra ou tristeza.
A vida significa tudo o que ela sempre significou, o fio não foi cortado.
Porque eu estaria fora de seus pensamentos, agora que estou apenas fora de suas vistas?
Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do Caminho...
Você que aí ficou, siga em frente,
Eu não estou longe, apenas estou do outro lado do Caminho...
Você que aí ficou, siga em frente,
a vida continua, linda e bela como sempre foi."
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
OUVIU-SE A LUA CHORAR

Este pequeno conto,
OUVIU-SE A LUA CHORAR,
para o André, no dia do seu aniversário, 12 de Outubro
com um abraço de parabéns,
Teresa
OUVIU-SE A LUA CHORAR,
para o André, no dia do seu aniversário, 12 de Outubro
com um abraço de parabéns,
Teresa
A noite encerra as estrelas. Ninguém delas se aproxima. Os homens têm medo das estrelas. Recusam aproximar-se delas. Gostam de as olhar quando estão distantes, no céu.
Ontem, uma mulher procurava a Lua, pela janela do quarto. Aí, onde o ar era coado pela dor, costumava haver luar. A luz do luar, uma estranha e acolhedora luz. Era essa luz branda que ela costumava ter por companhia todas as noites. Precisamente, ontem, a Lua onde estava? Porque deixara de ser visível? Quem a fizera desaparecer? Alguém, na noite, a roubara? Quem destruíra a única luz suave que lhe restava?
A mulher, com a solidão dentro do coração, olhava o céu e via as estrelas, mas era a Lua que ela amava. Que acontecera naquela noite? A Lua ficara ausente. Por quanto tempo se retirara, por quanto tempo a suave luminosidade fora afastada sem dar um ai, sem dizer um adeus ou dar um último sinal?
Lá estavam, no céu de breu, os débeis cintilares das pequeninas estrelas longínquas demais. Só o encantamento do luar não pousava no coração da mulher que nada mais tinha de seu, nada mais a conseguia ainda seduzir.
Inconformada, aquela mulher a viver só do gesto doce do luar, correu para as outras janelas da casa, em desatino, num desvario de interrogações. Olhava. A Lua ali, no céu, nem sequer dava de si uma amostra simples, uma sombra breve. O astro a transparecer ternura não lhe aparecia.
Então, decidiu correr a abrir a telefonia; talvez umas notícias a informassem do que se passava. Mudou de posto até começar a ouvir a música de Eric Satie. Sentiu-se embalada, mas o seu coração não queria ouvir Satie, não era essa melodia funda e cheia de paz que, naquele momento, desejava.
Um desespero sentiu no corpo todo. Apertou-lhe a garganta a emoção. Lembrou-se das miríades de poemas em que a Lua passava como um barco a guiar cada palavra. Lembrou-se dos contos da sua infância em que a Lua era a defensora dos bons. Escutou, na amargura do seu coração, Francisco de Assis a louvar a irmã Lua. Um silêncio emudecido no céu, ouviu assustada.
Depois voltou a sentir em si aquela doce melodia de Satie, insistiu, mas nem mesmo os sublimes sons lhe faziam esquecer a maravilha da imagem a recortar o escuro. Nada lhe trazia tanto essa concórdia que a serenava, depois de um dia de trabalho duro e talvez sem paga.
Ligou a televisão. Era a hora de mais um telejornal. Tantas desgraças neste planeta envolvido no azul do céu, tão belo visto do espaço como disseram os astronautas. Tornados que levaram casas, pessoas sob milhares de quilos de cimento armado, armadilhas de terroristas que matam as pessoas que passeiam pelas praias e pelos bosques sem nada suspeitar, trombas de água que derrubam edifícios matando as famílias e os amigos que festejam um casamento que venceu todos os obstáculos e sobe ao altar do amor.
Ela, uma dessas mulheres de coração partido pelo desprezo do homem que não a amara, só na Lua conseguira encontrar uma água fresca que a não deixava tornar cadáver. Começou de novo a ouvir o telejornal. Perdera já algumas notícias. Teriam falado de alguma desgraça na Lua? Mas a Lua, quem dela iria falar entre tantas tragédias aqui, na Terra?
A mulher amesquinhada pelo cruel destino, sentia o coração palpitante, inseguro, em expectativa. Ia escutar mais uma notícia, quem sabe se não lhe daria alguma palavra a indiciar uma qualquer tragédia, acontecida precisamente à Lua?
Sabia da pouca probabilidade de uma tragédia lunar. Aí tudo era sereno. Não havia ar, nem água, nem atmosfera, nem qualquer ruído. Nem tão pouco homens para agredir a sua paz. A Lua era um pequeno planeta que o homem visitara, sem ter tido a honra de alguém o receber. Ali tudo era vazio, só crateras, declives, poeira imensa. Mas à distância da Terra que perturbação de amor ela alcançava! Sem homens para nela fazer qualquer transformação, à Lua nada a podia perturbar. Vivia eterna, em saudosos reflexos de luz. Disso tinha a certeza. Não podia ter dúvidas.
O sonho desvanecia-se na mulher abandonada, de coração cheio de emoção. Estava já para desistir de ouvir mais uma só notícia sobre a Lua desaparecida, quando ouviu o locutor dizer: «Um foguetão da NASA foi direccionado à Lua; este objecto provocou um impacto com a força de um furação e provocou uma funda cratera no solo lunar».
Tudo estava explicado. A mulher soube assim que a Lua fora abalroada por uma avançada tecnologia de cientistas empenhados em descobrir água no subsolo pacato dessa Lua onde não havia mortes, porque não havia também tempestades nem violência humana.
De súbito, a mulher começou a ouvir um choro. Fechou a televisão. Abriu a janela do quarto. Viu, com espanto, a Lua. Mas a Lua estava a chorar. E ao vê-la chorar, a mulher chorou também. O luar derramava lágrimas, mas estava ali, voltara para ser um companheiro dos seus olhos. Uma Lua amolgada, com uma luz menos intensa, ferida no coração como aquela mulher, mas mesmo assim, com esperança. Como aquela mulher via na Lua a ternura que lhe faltava, a Lua via nela uma certa humanidade. E essa não era representada pelos cientistas inventores do foguetão disparado pela NASA.
10 de Outubro de 2009
Teresa Ferrer Passos
terça-feira, 6 de outubro de 2009
Cheiro de Jasmim em Asas de Morcego ( CONTO)
" Fruto do mundo são os homens, pequenos girassóis os que mostram a cara, enormes as montanhas que não dizem nada.''- Raul Seixas -
Antes de tudo, escute: não faça julgamentos. Com certeza, para nenhum lado havia saída. Às vezes perde-se o último trem, por outras embarca -se nele por não se ter conseguido trocar, a tempo, o bilhete.
Naquela manhã as aves voavam rotineiramente em círculos largos sobre o mar, enfileiravam-se, depois, lado a lado sobre a areia. Esperavam a próxima rota, e esteja certo, se paravam, olhos atentos em direção às montanhas é porque ouviam. Não duvides. A estreita passagem entre a luz e a sombra abre-se na hora certa e todas sabem que o corredor entre os canyons exige precisão.
Eram muitas e a fila, em linha branca, riscava as paredes das rochas. À medida que entravam, escurecia, e à medida que escurecia, confundiam -se com as estrelas. Uma vez do lado escuro, abriam-se em leques. Quanto ao plano de voo, levavam sob as asas e em comum só tinham a hora e o ponto de reencontro, quem se atrasasse não voltava.
Eu sei, você vai dizer, nada justifica. Se já havia feito a viagem tantas vezes, se conhecia o juramento de uma águia : deveria ter ido, cumprido a missão e voltado. Mas no exato momento em que abriram -se em leques, ela entrou no vale. Recortado por rio vermelho, ali estava o escuro Vale dos Morcegos.
Um segundo em voo, imensidões em terras. Terras secas e suas árvores filhas, pouca luz e brisa em lamúria. Ainda ouviu o grito:
_Alísia, por aí não!
A atmosfera densa lhe dificultava o bater das asas, voo cego por instrumento.
Tento ser imparcial, mas antecipadamente me traio, é porque após relembrar tantas vezes, é como caminhar sobre a mesma trilha íngreme, evita-se o perigo.
Escolhido o ponto de pouso, jogou-se. Muito mais pelo peso do que por perícia de piloto.
Ele, pendurado sob o galho da árvore, estava ferido e o sangue escorria sobre a capa escura. Seus olhos de dor e medo olharam a Águia como vendo o inimaginável. Como descrever luz a quem só conhece sombras? A Águia tocou com o bico a ponta da asa ferida. Soprou-lhe o rosto e amparou-lhe a cabeça.
Muito distante do vale, na praia, as ondas molhavam a areia. Todo o sal da água ela sentia na garganta. A sede incomodava, o sangue incomodava, a dor que ele trazia nos olhos lhe incomodava. Esperou algumas horas, esperou alguns dias. Não poderia ir. Fez todo o reconhecimento do vale, mas já não voava. À medida que o tempo passava desaprendia.
A partir daqui não tenho certezas. Não sei se venceu a própria gravidade, de longe só imaginamos. No ponto de reencontro, Alísia não estava. Ninguém podia esperar, isso nunca havia acontecido. As Águias entraram no corredor das rochas em ruidosa corrida, olharam para trás muitas vezes. A missão fora curta, por que se atrasara?
_Alísia, por aí não!
A atmosfera densa lhe dificultava o bater das asas, voo cego por instrumento.
Tento ser imparcial, mas antecipadamente me traio, é porque após relembrar tantas vezes, é como caminhar sobre a mesma trilha íngreme, evita-se o perigo.
Escolhido o ponto de pouso, jogou-se. Muito mais pelo peso do que por perícia de piloto.
Ele, pendurado sob o galho da árvore, estava ferido e o sangue escorria sobre a capa escura. Seus olhos de dor e medo olharam a Águia como vendo o inimaginável. Como descrever luz a quem só conhece sombras? A Águia tocou com o bico a ponta da asa ferida. Soprou-lhe o rosto e amparou-lhe a cabeça.
Muito distante do vale, na praia, as ondas molhavam a areia. Todo o sal da água ela sentia na garganta. A sede incomodava, o sangue incomodava, a dor que ele trazia nos olhos lhe incomodava. Esperou algumas horas, esperou alguns dias. Não poderia ir. Fez todo o reconhecimento do vale, mas já não voava. À medida que o tempo passava desaprendia.
A partir daqui não tenho certezas. Não sei se venceu a própria gravidade, de longe só imaginamos. No ponto de reencontro, Alísia não estava. Ninguém podia esperar, isso nunca havia acontecido. As Águias entraram no corredor das rochas em ruidosa corrida, olharam para trás muitas vezes. A missão fora curta, por que se atrasara?
Aos ausentes não é dado o benefício da defesa, há suposições. Posso imaginá-la voltando ao mar e no bico traz o mamífero. Não, não é certo. Nada traz sob o bico, chegam lado a lado, transparentes como as bolhas d'água que estouram na areia. As aves esperam. Veja! É possível reconhecê-la. Os dois abrem as asas em grande compasso sobre a água. Não levante-se ainda. Observe. As aves inquietam-se. Para sentir é preciso ir lá fora.
Inspire, sinta o cheiro de jasmim.
L.A
domingo, 4 de outubro de 2009
GRACIAS A LA VIDA

Violeta PArra
Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me dió dos luceros que cuando los abro
Perfecto distingo lo negro del blanco
Y en alto cielo su fondo estrellado
Y en las multitudes el hombre que yo amo
Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado el oído, que en todo su ancho
Traba noche y dia grillos y canarios
Martirios, turbinas, ladridos, chubascos
Y la voz tan tierna de mi bien amado
Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado el sonido y el abecedario
Con él las palabras que pienso y declaro
Madre, amigo, hermano y luz alumbrando
La ruta del alma del que estoy amando
Gracias a la vida,que me ha dado tanto
Me ha dado la marcha de mis pies cansados
Con ellos anduve ciudades y charcos
Playas y desiertos, montañas y llanos
Y la casa tuya, tu calle y tu patio
Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me dió el corazón que agita su marco
Cuando miro el fruto del cerebro humano
Cuando miro el bueno tan lejos del malo
Cuando miro el fondo de tus ojos claros
Gracias a la vida, que me ha dado tanto
Me ha dado la risa y me ha dado el llanto
Así yo distingo dicha de quebranto
Los dos materiales que forman mi canto
Y el canto de ustedes que es el mismo canto
Y el canto de todos que es mi propio canto
Gracias a la vida
sábado, 3 de outubro de 2009
A bicorporeidade de Santo Antônio de Pádua
Santo Antônio de Pádua, o nosso santo "casamenteiro"( 1195 -1231)
Das extraordinariedades medíúnicas, a bicorporeidade é uma das mais fascinantes. Traduz-se na possibilidade de uma pessoa estar em dois lugares ao mesmo tempo. Relata-nos a biografia de Santo Antônio de Pádua que o santo franciscano português em determinada época ministrando missa em Pádua , na Itália , em certo momento , interrompe o sermão e torna-se completamente imóvel. O frei neste momento, entra em estado de êxtase , bicorpora-se e aparece no Tribunal em Lisboa, Portugal, aonde seu pai estava sendo julgado por crime de homicídio. Homem dotado de excelente capacidade oratória conseguiu provar a inocência do pai e sua absolvição.
A segunda matéria corporal embora visível e tangível é na verdade parte da alma e também do perispírito da pessoa que se bicorpora. Não há divisão da alma, mas tão somente como se esta de forma elástica se expandisse para todas as direções. Parte deste segmento expandido forma o segundo corpo, visto em outro local. Apenas o primeiro corpo é real , o segundo é apenas aparente.
Entre o corpo e o espírito, encontramos o períspirito que é um envoltório da alma. A alma por sua vez , traduz-se em ser o espírito de uma pessoa em vida. Cessada a vida a alma denomina-se então espírito. A capacidade de bicorporação é uma faculdade mediúnica de uma pessoa, considerada das mais raras e geralmente o fenômeno acontece em situações de extrema necessidade e a pessoa que a possui, dotada de elevada moral, não a utiliza de forma leviana.
L. A
L. A
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
NÃO É TODO DIA

Luiz Martins da Silva
Que alguma coisa desce do firmamento
Para se clicar feito faíscas de flertes.
Que um epifenômeno em redemoinho
Vem dissolver madeixas em vento.
Que o tão simples bom-dia no elevador
Materializa tão somente o pretexto do por favor...
Que alguma atenção extra converte o instante
Naquele da criança esquecer febre e quebranto.
De lamentarmos não ter câmera,
justo o momento,
De registrarmos o tão prosaico incidente.
Que percebemos que em todo dia
De registrarmos o tão prosaico incidente.
Que percebemos que em todo dia
Há algo até mais real do que na fotografia
quarta-feira, 30 de setembro de 2009
VITRAIS - em reconstrução
BARXLevei André para conhecer o mar. Batia as mãos na água e molhou-me o rosto. As aves iniciavam lentamente o voo. Luci, sabíamos, retornaria em pouco tempo. O menino encostou o rosto no líquido salgado e não gostou do sabor.
Da praia, podia ver Arpy na varanda da casa entre pincéis e madeiras. As mulheres separavam as fibras sobre os teares , os meninos corriam. Uma ave deslizou raso sobre a água e passou entre nós.
Luísa Ataíde
( Memórias de Sara M. - Do conto: Barx, escrito em 1976, prêmio revista Tema, outubro 1980. Recebi , de volta, o manuscrito do conto este final de semana. Agradecimentos à Rosalina Jacintho)
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
O ESTRANGEIRO

Não se preocupe em entender. Viver ultrapassa todo o entendimento.
Clarice Lispector
Sempre que anoitecia o homem sentava-se à mureta e observava. Olhava as pessoas e a pressa que elas tinham. Morava sozinho na última casa da rua e achava a noite grande e o silêncio que ela emitia parecia jogar-se em direção a ele. Por isso e tão somente saía à noite. As paredes , em demasia , arrastavam pequenos sons . O homem olhava em volta: o banco, o espelho , o fogão. Todos queriam falar ao mesmo tempo e antes que tivesse que responder alguma coisa , vestia o casaco e ia. Lá fora as pessoas aceleravam em direção às portas e entravam nos prédios como galinhas de volta ao ninho, estupidamente sonâmbulas:-comandadas apenas pelo arrastar das horas. Da mureta o homem observava. Olhava os próprios pés e mãos e certificava-se que eram ainda prolongamentos do corpo. Melhor são as flores, pensava. Ele trabalhava no jardim de um grande prédio no centro da cidade , cuidava do lago e erguia os canteiros. Conversava com as plantas , horas a fio , e elas respondiam num trocar de idéias sem fim. As pessoas olhavam o homem murmurando e quase todas riam. Nunca entendia o riso e ,às vezes, arriscava-se perguntar o que estava acontecendo Recebia o silêncio. Sendo assim não lhe restava nada mais que a companhia das plantas. Era um jardineiro plenamente feliz com seu ofício. Na hora do almoço, entrava na biblioteca do prédio e folheava os livros de Botânica Olhava as fotografias e perdia-se no labirinto de flores multicores e nomes indecifráveis. Em casa, à noite, as paredes tentavam conversar porque sabiam que ele dominava idiomas raros.
Sempre que amanhecia ele pulava da cama e em poucos minutos estava na rua. Antes de fechar a porta olhava as paredes da sala e não negava-lhes resposta ao aceno de: -Tenha um bom dia!
Quando chegava ao trabalho , cumprimentava o porteiro que nunca respondia. O homem olhava mais uma vez as mãos e os pés para ter certeza que ainda eram seus. Sua invisibilidade o angustiava e esforçava- se por um "Bom dia" mais sonoro: inútil . Retornava, então, às flores.
Sempre que anoitecia sentava-se na mureta da rua e observava. Observava os outros homens que não conhecia e os que caminhavam , lá do começo da rua. Não sabia seus nomes nem suas histórias. Todos eram estranhos entre si. Temiam-se quando distraidamente tocavam-se e guardavam as mãos dentro dos bolsos. Com o passar do tempo como as pessoas não lhe dirigiam a palavra , restava-lhe apenas decifrar a a linguagem das folhas e flores . Respondia às indagações das paredes e com o tempo de todos os objetos da casa. O orgulho dos homens, pensava, é como a imobilidade das pedras: inútil e grande.
Havia as cores das flores: o burburinho que elas faziam quando ele chegava pela manhã e a cantoria de despedida no fim da tarde. Dizia adeus às pedras, devolvia-lhes o aceno.
_Vem trabalhar amanhã? Soou o grito perto do muro. Era uma borboleta pousada sobre o portão de saída.
_ Não entendi o que você falou, mas amanhã prometo que conversaremos ! Despediu sorrindo.
Desceu os degraus e caminhou em direção ao ônibus no final da rua. Misturou-se a multidão feita de desconfiança e silêncio. O homem era só um ponto no rio de pernas descendo a avenida.
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