quarta-feira, 14 de abril de 2010
quarta-feira, 7 de abril de 2010
O TEMPO...
Óleo sobre tela- Camões na prisão de Goa, Maureaux
LUIS DE CAMÕES
O tempo acaba o ano, o mês e a hora,
A força, a arte, a manha, a fortaleza;
O tempo acaba a fama e a riqueza,
O tempo o mesmo tempo de si chora;
O tempo busca e acaba o onde mora
Qualquer ingratidão, qualquer dureza;
Mas não pode acabar minha tristeza,
Enquanto não quiserdes vós, Senhora.
O tempo o claro dia torna escuro
E o mais ledo prazer em choro triste;
O tempo, a tempestade em grão bonança.
Mas de abrandar o tempo estou seguro
O peito de diamante, onde consiste
A pena e o prazer desta esperança.
quinta-feira, 1 de abril de 2010
A CAMINHO DE AQUARIUS

LUIZ MARTINS DA SILVA
I
Se dominava uma dúzia de línguas,
Por que não haveria de decifrar
A misteriosa mensagem de Roseta?
Depois de dois anos, finalmente,
Champollion encontra a chave
Para ler 3 mil e 500 anos de escrita.
II
O que chamam de restos mortais
Está na Abadia de Westminster.
Seu coração está em algum lugar
Entre o Zambeze e as nascentes do Nilo,
Ou seja, nas montanhas da Lua.
“Doctor Livingstone, I Presume”.
III
Quando ele próprio já não acreditava
Haver ainda cidades perdidas,
Eis que, à procura da lendária Vilcabamba,
Encontra a fortaleza sagrada de Machu Picchu:
“Would anyone believe what I have found?”
Escreveria Hiram Bingham em seu diário.
IV
Poucos iniciados têm acesso
Ao que na procura chamou de Cidade Z.
Aonde se chega por uma das sete embocaduras,
A que está na Serra do Roncador.
Há quem ateste que Fawcett está muito bem
Para os seus 143 anos.
V
“Entre os paralelos 15º e 20º ...
Partindo de um ponto onde se forma o lago...”
"Deste Planalto Central, desta solidão...”
“Lanço os olhos mais uma vez sobre o amanhã..”.
“Com fé inquebrantável e confiança sem limites".
quarta-feira, 24 de março de 2010
DEIXAR VIR A MIM
Aos que incessantemente procuram, aos aflitos e desafortunados, um aviso: A Esperança é uma borboleta colorida e rodopia entre os muros.
Apenas ouvia-se o barulho forte e ritmado das patas dos cavalos atravessando o rio. O som abafado como tambor erguia-se em compasso sonoro e repetitivo. O ruído abria círculos de ondas que cresciam indefinidamente. Os cavaleiros traziam nas mãos lanças com pontas de metal, outras esculpidas
Perfilaram-se após o cessar da corrida lado a lado e viam, lá embaixo, as árvores. Depois das árvores havia canteiro de cores; muitas cores. Estávamos atrás deles e víamos o brilho das flores sob a luz do sol. Do lado de cá os guerreiros no momento prévio da batalha. Do lado de lá apenas o desconhecido. Temíamos o encontro. Buscamos mentalmente a benevolência do perdão. Enlaçamos todas as pontas e desejamos que a rede do infinito amor do Cristo chegasse até eles. Nossa força era demasiadamente limitada, éramos apenas portageiros de uma fé em transformação.
A respiração do guerreiro freava em ritmo ofegante e quando o último movimento serenou, ele apenas observou. Nada mais havia depois das cores, apenas o balanço de varais ao vento. O primeiro da fila olhou para o companheiro ao lado. Bateu por duas vezes a ponta da lança afiada no chão. O companheiro repetiu o gesto. O chão sobre nossos pés estremeceu com a batida coletiva. O primeiro homem desceu do cavalo e caminhou em direção às árvores. Os outros seguiram entre os canteiros de flores. O que ia à frente levantou a ponta do lençol sobre o varal. A partir dali a tarde findava-se numa claridade dourada e esta luminosidade dançava entre as árvores como uma melodia. O homem teve muita dificuldade em manter os olhos abertos. No começo não via nem ouvia nada, apenas recebia a luz. As cores emergiam das asas das borboletas e da água clarinha que se espalhava no rio. Agora o homem ouvia o rio. Era uma canção mansa, desconhecida. Lavou as mãos e deixou sob a água a arma de metal. O reflexo da água alargava e tremulava a lança. O guerreiro desceu novamente as mãos em concha e bebeu a água. Lavava calmamente as feridas na água fresca que misturava-se à poeira e ao barro da estrada. À medida que lavava o corpo o sangramento estancava. As feridas tornavam-se pontos pequenos e quase imperceptíveis. Do outro lado do rio, havia o burburinho indecifrável de vozes. O que abrira o caminho entre os lençóis prosseguiu em direção ao ruído, olhavam sem entender. Ali estava o que buscavam. Os que foram encontrados traziam um sinal individual que ligava cada um a algum deles. Apesar da aparência podiam ser reconhecidos. O homem que ia à frente, já sem marcas de sangue e sem sede estendeu a mão em direção a quem sempre buscara. Encontrou uma mãozinha pequena e roliça de criança. Entre as árvores e a vegetação rasteira estavam eles: centenas de meninos e meninas. Deviam ter pouco mais de dois anos. Cachos de cabelos e rostos redondos olhavam. O pequeno à frente do homem apontou-lhe o dedo, depois o recolheu subitamente em direção à boca. O guerreiro o tomou no colo. Os outros caminhavam entre o exército de soldados desarmados. Ouvia-se um burburinho de risos e prece. Lá do outro lado do rio a luminosidade brincava com as borboletas e com as nuvens do céu.
L.A
sábado, 20 de março de 2010
BEIJOS DO MAR

Poema de TERESA FERRER PASSOS
Imagem- Octávio Campos
Na serra, as ondas do mar escrevem beijos no ar...
Vejo além um favo, escondido num trilho
onde se faz amor nos dias com sol.
Um silêncio azul cresce até ás nuvens breves.
A esvoaçar, há pássaros brancos em Alportel.
Vejo-os de asas tangenciais.
São novelos de amor em construção.
Dois sobreiros envelhecidos sobem, a custo,
até ao céu e beijam-se ufanos, na Cortelha…
Ofereceste-me, hoje, um poema escrito no absoluto da tinta
e ainda esta serra com perfumes a alecrim amarelo.
A viagem, curta, é, talvez, igual a uma folha de azinheira
com estrelas de chuva pequenina.
Tudo tão perto, à beira do caminho, quase ao pé de nós…
Como eu gostava de te oferecer a chuva ou o vento,
qualquer coisa intensa, assim. Ou ainda mais forte:
um barco verde carregado de possível!
No Barranco Velho, dois pássaros brancos passam sobre nós.
Olho-os. Deles escapa-se uma onda.
Ah, é uma onda solta do mar...
Uma onda perdida na serra, nas asas daquele voar...
A custo, consigo agarrá-la.
Vem carregada de beijos soltos…
Seguro-os, a quase todos, bem dentro da minha mão.
E na tua face deixo-os escorregar,
como se fossem para juntar aos meus,
aqueles que hoje, porque estou com gripe,
não te posso dar.
S. Brás de Aportel, 19 de fevereiro de 2010.
quinta-feira, 11 de março de 2010
RECADO - ANA PELUSO

Querido Leitor,
Desfolhando 42 jornadas culturais, a Diversos Afins celebra a sua mais nova Leva. Entre as expressões de agora, estão:
- signos do corpo na exposição fotográfica de Ricardo Miyajima
- o lirismo poético de Rosane Carneiro, Ligia Dabul, Paula Raposo, Abílio Pacheco, Alexandre Bonafim, Alam Arezi e Edson Pielechovski
- uma entrevista com o cantor e compositor Celso Fonseca
- dedos de prosa em Rodrigo Melo, Samantha Abreu e Larissa Mendes
- um convite à leitura de Georges Perec na crônica de W. J. Solha
Estes e outros afins em:
http://diversos-afins.blogspot.com
Saudações culturais,
Fabrício Brandão & Leila Andrade - LEVEIROS
Desfolhando 42 jornadas culturais, a Diversos Afins celebra a sua mais nova Leva. Entre as expressões de agora, estão:
- signos do corpo na exposição fotográfica de Ricardo Miyajima
- o lirismo poético de Rosane Carneiro, Ligia Dabul, Paula Raposo, Abílio Pacheco, Alexandre Bonafim, Alam Arezi e Edson Pielechovski
- uma entrevista com o cantor e compositor Celso Fonseca
- dedos de prosa em Rodrigo Melo, Samantha Abreu e Larissa Mendes
- um convite à leitura de Georges Perec na crônica de W. J. Solha
Estes e outros afins em:
http://diversos-afins.blogspot.com
Saudações culturais,
Fabrício Brandão & Leila Andrade - LEVEIROS
sábado, 6 de março de 2010
UNS

Ricardo Reis (*)
Uns, com os olhos postos no passado,
Vêem o que não vêem: outros, fitos
Os mesmos olhos no futuro, vêem
O que não pode ver-se.
Por que tão longe ir pôr o que está perto —
A segurança nossa? Este é o dia,
Esta é a hora, este o momento, isto
É quem somos, e é tudo.
Perene flui a interminável hora
Que nos confessa nulos. No mesmo hausto
Em que vivemos, morreremos. Colhe
o dia, porque és ele.
(*) Heterônimo de Fernando Pessoa.
Nota: Fotografia- Imaginário Poético
Colaboração enviada por Osmar Oliveira Aguiar.
sábado, 27 de fevereiro de 2010
MOTIVO

Cecília Meireles
Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
Não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
-não sei , não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
-mais nada.
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
Não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
-não sei , não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
-mais nada.
Cecília Benevides de Carvallho Meireles nasceu no Rio de Janeiro em 1901. Iniciou na literatura através da "corrente espiritualista" , sob a influência dos poetas neo-simbolista. Embora tenha se distanciados desses , nunca perdeu a linha intimista numa atmosfera de sonho e fantasia. Cecília manifesta sempre sua preocupação com a transitoriedade das coisas e das pessoas. O tempo é seu principal personagem. A linguagem de Cecília é formada por símbolos e imagens sugestivas e sensoriais.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
ENCONTRO DAS ÁGUAS
... a paixão veio assim
Afluente sem fim
Rio que não deságua
Aprendi com a dor
Nada mais é o amor
Que o Encontro das Águas
Esse amor
hoje vai pra nunca mais voltar
como faz o velho pescador
Quando sabe que é a vez do mar
...
JORGE VERCILO
domingo, 7 de fevereiro de 2010
CLARA CLARICE

Foi quando percebeu que só tinha nas mãos cacos, que eram tão pequenos que não podia emendá-los. Foi quando percebeu que a luz que abre os dias é a pura claridade dos dias e o que mata sede é água. Foi como acordar lúcido e sujo numa calçada. Diante de uma saída tão estreita, acabou concordando que a realidade tinha sua fatia sem matéria. Ela não: tinha um rosto, cabelos, fome e sede. Fome e sede... O pior era que o tempo passava.
Resolveu não mais sair de casa e a viver num estado de desistência. Na calma de nada entender trancava gavetas, portas e janelas. O que não convivia bem consigo, era não se achar de confiança e quase sempre não caber em si. Sua felicidade consistia em ter um sentimento secreto de inexatidão. O dia que tudo lhe parecesse matemático, teria a impressão cômoda dos dias. Constatou então, que colocavam um fim fora de lugar. Na verdade amava ter sido dois. Julgou que se fosse a outra parte seria mais fácil; contudo sabia que não sendo o lado feminino da história, jamais alcançaria esse estado de inquietação, de querer saber o que um homem sente. Eram territórios sem fronteiras.
Estava de través, como se qualquer outra posição a desequilibrasse. Sabia que não poderia permanecer por muito tempo assim, esse estado de alvoroço anestesiava e tirava-lhe o sono. Passou a viver num estado de Desistência. Da desistência chega-se à loucura. A loucura é uma canção sem voz.
Por muito tempo, sua única ligação com o mundo era o rapaz da mercearia que às Quintas-feiras trazia as verduras.
-Dona Clara! Gritava do portão.
Também aconteceu: "O tempo pôs-se a correr, a correr, a correr, e o mato cresceu ao redor, ao redor..."
Ela era por liberalidade sua própria feiticeira.
Aí, vem o dia que a maior das artes humanas vence: A Sobrevivência - estado latente de defesa. Até ali, não ter certezas era o fruto que carregava em silêncio. Com habilidade mestre , colocou-o sobre a mesa e o partiu, como se procurasse a menor das células. Embuída que estava do mesmo sentimento que Deus teve no dia que resolveu fazer o mundo, abriu as janelas da sala.
A umidade da casa atravessou a varanda.
L.A
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Canção aos olhos e ouvidos de Sônia Schmorantz

BRINCAR DE RIMAR
Sônia Schmorantz
Eu quero qualquer coisa mágica,
qualquer coisa azul,
qualquer forma de ser feliz.
Não quero acordar cedo,
quero prolongar o sonho
mesmo
que a história seja trágica.
que a história seja trágica.
Não quero sonhos falsos,
Não quero destino já traçado,
Não quero uma vida básica.
Não quero restos ou pedaços
Não quero olhar o relógio,
Não quero um tempo sádico.
Quero valer um mar azul
uma estrela na varinha de condão
um poema de efeito mágico,
que seja fácil, que seja simples,
nem litúrgico, nem letárgico,
mas que fale ao coração…
NOTÍVAGA
Sônia Schmorantz
Sou notívaga, perambulo nas madrugadas
como as corujas, empertigadas, em cima dos muros.
Ouço os sons da madrugada, os que estão fora e
os que tenho dentro de mim.
Silêncios quebrados por sons de pássaros noturnos,
pessoas que passam, chave na fechadura, criança que chora.
cortam a madrugada o choro dos amores mal resolvidos,
Os sonhos ainda não vividos, o som de risos perdidos na memória.
A madrugada está cheia de sons, música transcendental, natural
que não precisa de cordas ou teclas, vem no assobio do vento
ou nos acordes dos pingos de chuva na velha calha.
Não sei que hora o relógio marca, sei que estou acordada,
que o poema não deixa de ser uma oração silenciosa,
será que Deus ouve melhor nessa hora?
Resta depois esta vontade de chorar diante da beleza,
Resta esta súbita saudade de tudo e de nada,
até que os sons se esmaeçam enternecidos no sono
que finalmente chega…
Nota : Textos e fotos do Blog visual e poético de Sônia Schmorantz
Vale muito conhecer: ILHA DA MAGIA
domingo, 31 de janeiro de 2010
em M ovi men¬t o

DOMiNGOS sÃO rios de risos em sonhos
curvos, zonsos, fundos.
São cataVentos coloridos
vagos, inúteis, sURDOS.
dOMINgOS cheiram a maçã e missa
vagas lembranças de dias sem sol.
à TARDE, apontam o trilho ligeiro dos dias
Zunem versos roucos no ouvido
Abrem os riscos contínuos na estrada
distorcem o contorno das folha nas árvores.
SAL_ tam os muros secretos dos dias
Dos dias que chegam depois de amanhã.
Sunday, sundAY , CAdê você?
L.A
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Luzes e Caminhos

Luiz Martins da Silva
São tantas metáforas
Que se fazem aos caminhos,
Que andar nem é tino
É alegoria de mirar.
Caminho, camino, caminno,
Senda, sendero, chemin,
Caminito, trilha, vereda,
Serventia de andaluzes.
Lâmpada, lamparina, archote,
Lanterna, tocha, fósforo,
Única brasa que seja,
Quanto mais raio, corisco.
Lua, estrela, via láctea,
E ainda que seja a noite, nua,
Espesso breu dos navegantes
Faíscam pedras nos cascos os rocinantes.
E que aos mortos não se neguem lumes,
Pois morrer será a própria eterna treva.
Que se lhes acendam velas, candelabros,
Fileiras ardentes, vigílias de castiçais.
Mas, mais que todas as luzes acesas
São os olhos das musas os grandes sinais,
A nos guiar qual do sol as labaredas,
Pois facho maior que do amor não há farol.
Sobre o autor: Luiz Martins da Silva nasceu em Nova Russas (CE), em 03/09/1950. Em Brasília desde 1970; formado em Jornalismo e mestre em Comunicação pela UnB; doutor em Sociologia (UnB/Universidade Nova de Lisboa); jornalista desde 1975 (Jornal de Brasília, O Globo e Veja, entre outros). Professor da Faculdade de Comunicação da UnB, desde 1988; e pesquisador do CNPq, desde 1996. Participação, entre outras, da antologia Poesia Jovem – Anos 70. Integrou a Geração Marginal.
Bibliografia: Rua de Mim; Comigo Foi Assim; Brasilinhas; Breviários; e Realejo. Foi um dos organizadores da antologia de poesia Águas Emendadas (1977). Autor de vários livros e trabalhos acadêmicos na área de Comunicação.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
A ETERNIDADE
de Arthur Rimbaud
De novo me invade.
Quem? – A Eternidade.
É o mar que se vai
Como o sol que cai.
Alma sentinela,
Ensina-me o jogo
Da noite que gela
E do dia em fogo.
Das lides humanas,
Das palmas e vaias,
Já te desenganas
E no ar te espraias.
De outra nenhuma,
Brasas de cetim,
O Dever se esfuma
Sem dizer: enfim.
Lá não há esperança
E não há futuro.
Ciência e paciência,
Suplício seguro.
De novo me invade.
Quem? – A Eternidade.
É o mar que se vai
Com o sol que cai.
Gentilmente enviado por Osmar Oliveira Aguiar
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
ABISMO DE ROSAS

Américo Jacomino, o Canhoto, compositor e instrumentista, nasceu em 1889 . Brasileiro, filho de imigrantes napolitanos, nunca freqüentou escola. Desde garoto interessou-se por violão, que tocava, mesmo sem inverter as cordas, na posição de canhoto, o que deu origem a seu nome artístico. Aos 16 anos começou sozinho a aprender cavaquinho, época em que já tocava em serenatas.
Em 1907, durante uma serenata no bairro da Mooca, conheceu o cantor Paraguaçú, com quem começou a apresentar-se em cinemas, circos e restaurantes.
Em 1913, já conhecido na capital paulista como bom violonista, gravou pela primeira vez, na Odeon, na série 120.000, a valsa Belo Horizonte, a polca Pisando na mala. Compôs aos dezesseis anos Abismo de Rosas, clássico do violão brasileiro.
Já em 1916 gravou suas valsas Beijos e lágrimas e Acordes do violão, primeiro título de Abismo de rosas.
Gravou em 1918 os tangos Madrugando e Recordações de Cotinha. Na época da Primeira Guerra Mundial, compôs a Marcha triunfal brasileira .
Em 1919, foi convidado, a formar um trio com Viterbo Azevedoe Abigail, uma menina , para apresentações teatrais, em que Viterbo encarnaria o Jeca Tatu, famoso personagem de Monteiro Lobato.No mesmo ano o Trio Viterbo-Abigail-Canhoto estreou em São Paulo e em seguida excursionou por cidades do interior . Em dezembro foi para o Rio de Janeiro, dando um recital de violão no Teatro Lírico.
Inicia em 1920 a produção de músicas carnavalescas, embora continuasse a compor outros gêneros. Lançou, para o Carnaval daquele ano, Ai, Balbina e no ano seguinte Já se acabô (ambas com Arlindo Leal). Logo depois instala-se em S.Paulo, onde abriu loja de instrumentos musicais. Foi um dos pioneiros, ao lado de Paraguaçu, da Rádio Educadora Paulista, primeira emissora do Estado.
Em 1922 gravou a Marcha triunfal brasileira e regravou Abismo de rosas. Um ano depois gravou como cantor a Marcha dos marinheiros e no ano seguinte o samba Só na Bahia é que tem (ambos de sua autoria).
No ano de 1927, no Rio de Janeiro, participou do concurso O que é Nosso, patrocinado pelo jornal Correio da Manhã e realizado no Teatro Lírico, quando executou três músicas de sua autoria, a Marcha triunfal brasileira, Viola Minha Viola e Abismo de Rosas, vencendo o concurso e recebendo o título de Rei do Violão Brasileiro.
Em março de 1928 retornou ao Rio de Janeiro, gravando algumas de suas composições em solos de violão e cavaquinho, adoece e é levado de volta a São Paulo , onde vem a falecer.
Pesquisa: André A.
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