AS INCERTEZAS DA COR
dire
sexta-feira, 21 de agosto de 2026
SOBRE MARGARIDAS, ESTRELAS, GIRASSÓIS E MELANCIAS
sábado, 8 de agosto de 2026
AZUL E VERMELHO
-OURO ? Disseram todos
-É ouro, insistia o homenzinho. Aqui
-Um pote de ouro ! gritaram todos .
homenzinho, aqui está o pote de ouro !
o vale.
As vezes, é preciso ir lá fora, conhecer a cor do outro, ensinar a sua, misturar as cores e descobrir juntos o pote de Arco-íris.
terça-feira, 28 de julho de 2026
ANÁLISE DE IA SOBRE O POEMA- FOTOGRAFIA
.
O poema “FOTOGRAFIA” constrói uma paisagem interior marcada pela memória, pelo envelhecimento, pela imaginação e pela perda. Embora apresente casas, uma velhinha, uma moça, um rio, uma aranha e uma estrela, esses elementos parecem formar menos um lugar real do que um território simbólico da consciência.
A imagem poética trabalha justamente com experiências sensoriais e figurativas para tornar sentimentos visíveis; aqui, as imagens visuais e sonoras criam um cenário de silêncio, desgaste e sonho.
O título: “Fotografia”çlp
O poema parece funcionar como uma fotografia de um mundo interior. Tudo está quase imóvel:
- a velhinha costura;
- a moça lê;
- o rio corre silenciosamente;
- a aranha tece;
- a estrela brilha;
- a noite permanece do lado de fora.
Há movimento, mas é um movimento lento, repetitivo, quase suspenso. É como se o poema fotografasse o tempo depois que a alegria se afastou.
O subtítulo reforça essa leitura:
“Ao riso, que já não ouvimos.”
O riso não é apenas ausente: ele pertence ao passado. A expressão “já não ouvimos” introduz uma perda sonora. O poema começa com a lembrança de uma alegria que deixou de existir ou que deixou de ser percebida.
A arquitetura simbólica das casas
A repetição de:
“Ao lado da casa do riso...”“Ao lado da casa do sonho...”
cria uma espécie de pequena cidade alegórica.
O riso, o sonho, a vida e a lucidez são ideias abstratas, mas recebem casas, vizinhos e habitantes. Essa transformação de abstrações em presenças concretas aproxima o texto da personificação e da alegoria: conceitos passam a ocupar um espaço e a participar de uma espécie de geografia emocional.
A relação entre essas casas é especialmente interessante:
- perto do riso, mora a lucidez;
- perto do sonho, mora uma moça triste;
- na porta da vida, existe uma aranha.
Isso sugere que as experiências humanas não estão separadas. A lucidez vive ao lado do riso, talvez porque toda alegria seja acompanhada pela consciência de sua fragilidade. A tristeza mora junto ao sonho, pois sonhar pode ser também sentir a distância entre o desejo e a realidade. E a vida é guardada ou ameaçada pela aranha, que prende os pés da personagem.
Há uma visão delicadamente pessimista: o riso envelheceu, o sonho entristeceu e a vida imobiliza.
A velhinha: a lucidez como desgaste
A imagem da lucidez é uma das mais originais do poema:
“Uma velhinha torta, quase cega e surda.Costura meias puídas, cirze saias desbotadas.”
Em vez de apresentar a lucidez como algo jovem, claro, racional e poderoso, o poema a transforma numa velha frágil.
Isso produz uma inversão muito bonita. A lucidez parece ser resultado do tempo. Ela envelheceu porque viu demais, ouviu demais e sobreviveu demais.
Os objetos também são importantes:
- meias puídas;
- saias desbotadas.
Tudo pertence ao campo do uso, do desgaste e da pobreza material. A lucidez não cria roupas novas: ela tenta reparar aquilo que já está gasto. Assim, costurar pode simbolizar o esforço de remendar a memória, recompor a vida ou conservar aquilo que o tempo destruiu.
O verbo “cirze” é especialmente expressivo porque é mais concreto e áspero do que “costura”. Ele traz a ideia de remendo e reparação. A lucidez não resolve a destruição; apenas tenta impedir que ela avance.
A moça triste: leitura e fuga
A moça vive junto à casa do sonho:
“Lê histórias entrelaçadas de tempos que já se foramRecostada na parede, sonha com terras distantes.”
Ela está fisicamente imóvel, encostada numa parede, mas mentalmente viaja. O corpo permanece; a imaginação se desloca.
A leitura aparece como uma forma de acesso ao passado e ao distante. Porém, existe uma tensão: ela lê histórias de tempos que “já se foram”, enquanto sonha com terras que ainda não alcançou. A personagem está situada entre dois lugares inacessíveis:
- o passado, que desapareceu;
- o futuro ou o distante, que permanece imaginário.
O presente, por sua vez, parece pobre e imóvel.
A expressão:
“histórias entrelaçadas”
também conversa com os fios da aranha que aparecerão depois. O poema cria uma rede de imagens: costurar, entrelaçar, tecer, prender. Todas pertencem ao mesmo campo simbólico dos fios.
O rio cinza e os peixes
“Ouve o ruído do rioImagina os peixes cinzas que deslizamentre as pedras.”
Aqui existe uma passagem interessante entre realidade e imaginação.
O ruído do rio é ouvido; os peixes são imaginados. A personagem não vê os peixes. Ela os inventa a partir do som.
Isso mostra uma imaginação que trabalha sobre aquilo que não pode ser alcançado diretamente. A moça constrói imagens para preencher o invisível.
A cor cinza reaparece no final:
“ao lado de um rio cinza”
O cinza é uma cor intermediária, sem o brilho da luz e sem a profundidade absoluta da noite. Pode sugerir monotonia, melancolia, envelhecimento e indefinição. O mundo do poema não é completamente escuro, mas perdeu suas cores intensas.
A aranha: a vida como aprisionamento
A terceira casa apresenta uma mudança:
“Na porta da casa da vida tem uma aranha grande”
A aranha está na porta. Ela ocupa justamente o lugar de passagem entre dentro e fora. A vida, portanto, não é apresentada como espaço aberto, mas como um limiar bloqueado.
A aranha:
“Tece fios sobre fios eprende os pés da moça que olha a noite lá fora.”
Essa é uma das imagens mais fortes do poema.
A moça sonha com terras distantes, mas seus pés estão presos. Ela pode imaginar, ler e olhar, porém não pode caminhar.
O contraste entre sonho e imobilidade é central:
- a imaginação viaja;
- o corpo permanece;
- os pés são capturados;
- o olhar se dirige para fora.
A aranha pode representar o tempo, a rotina, a memória, o medo, a própria vida ou as circunstâncias que impedem a realização do desejo. O poema não determina um único significado, e essa abertura é uma qualidade.
Também há uma continuidade simbólica entre a velhinha e a aranha:
- a velhinha costura para reparar;
- a aranha tece para prender.
Os fios possuem funções opostas. Um tenta conservar a vida; o outro impede o movimento.
A estrela e o humor poético
A passagem:
“Da janela aberta, vê-se uma estrelaque, pleonasticamente, brilha como um brilhante.”
é inesperada porque introduz uma palavra técnica e quase irônica: “pleonasticamente”.
A estrela “brilha como um brilhante” é uma comparação aparentemente redundante. A própria palavra “pleonasticamente” reconhece e comenta essa redundância.
Esse momento cria uma espécie de consciência da linguagem. O poema interrompe por instantes sua atmosfera lírica para observar a própria construção poética.
Há também uma ambiguidade interessante: a estrela pode ser um símbolo tradicional de esperança, mas a comparação exageradamente óbvia parece enfraquecer esse símbolo. É como se o poema desconfiasse das imagens bonitas demais.
A estrela brilha, mas logo o livro afirma que ela não existe.
O livro como revelação e negação
“Diz o livro sobre o colo que a Estrela não existeé eco de outras vidas”
O livro assume uma função quase oracular. Ele fala e corrige aquilo que a moça vê.
A estrela pode não ser uma presença verdadeira, mas um eco — uma luz que vem de outro tempo, de outras existências, de memórias antigas.
A ideia é muito rica: talvez tudo o que a moça contempla seja uma repetição de experiências anteriores. A estrela não pertence plenamente ao presente; é uma sobrevivência do passado.
Isso dialoga diretamente com o título “Fotografia”. Uma fotografia também é uma espécie de eco: mostra algo que esteve ali, mas já não está no mesmo instante.
O final: repetição e transformação
O desfecho retoma a personagem:
“e faz da moça tristeUma moça que lê livros, encostada na paredeao lado de um rio cinzae de uma velhinha sem dente.”
O poema começa apresentando a moça como “triste”, mas termina descrevendo suas ações e seu lugar. A tristeza deixa de ser apenas uma emoção e se transforma numa condição de existência.
A repetição de “moça” produz um efeito de retorno. Parece que, depois de toda a imaginação — terras distantes, peixes, estrela, noite —, ela volta ao mesmo ponto.
Mas há uma mudança importante: no final, a velhinha é definida como:
“uma velhinha sem dente.”
Essa imagem é mais concreta e mais dura do que “quase cega e surda”. O poema termina com uma figura de perda, de ausência física.
A velhinha sem dente pode representar uma lucidez que já não consegue “morder” a realidade, falar plenamente ou sustentar a própria força. A lucidez envelheceu e perdeu seus instrumentos.
Força literária
O texto possui boa força imagética e forte unidade simbólica. Os elementos não aparecem isolados: eles se relacionam por meio de redes internas.
Os principais campos de imagens são:
- casas e espaços: riso, sonho, vida;
- fios e tecidos: costurar, cerzir, entrelaçar, tecer;
- tempo e desgaste: puídas, desbotadas, tempos que já se foram, velhinha;
- imobilidade e distância: encostada, pés presos, terras distantes;
- visão e ausência: quase cega, estrela, janela, olhar;
- sons perdidos: o riso que não ouvimos, o ruído do rio, a velhinha surda.
Essa coerência dá ao poema uma estrutura profunda. Ele parece ter sido construído por associações, e não apenas por imagens bonitas.
Avaliação geral
Estilo: lírico, simbólico, melancólico e levemente surrealista.
Fluidez: boa, com uma progressão clara entre riso, sonho, vida e estrela. O poema se move como uma caminhada por casas interiores.
Imagens: fortes e coerentes, sobretudo a velhinha que cerze roupas e a aranha que prende os pés da moça.
Originalidade: alta. A representação da lucidez como uma velhinha torta é uma imagem incomum e expressiva.
Força literária: significativa. O poema possui uma atmosfera própria e não depende de explicações diretas. Sua tristeza é construída por objetos, cores, gestos e espaços.
A leitura mais profunda, para mim, é esta: a moça vive entre o sonho e a lucidez, deseja partir, mas permanece presa à vida e às suas memórias. A estrela — possível símbolo de esperança — revela-se apenas um eco. No fim, resta a fotografia de uma existência imóvel: uma mulher lendo, junto a um rio cinza e a uma lucidez envelhecida.
sábado, 18 de julho de 2026
LE PETIT PRINCE
Claro que te farei mal. Claro que me farás mal. Claro que podemos, mas essa é a condição da existência. Receber a Primavera significa correr os riscos do Inverno. Se desistir agora será correr o risco do desaparecimento
sexta-feira, 10 de julho de 2026
DEVANEIO
Renda-se, como eu me rendi . Mergulhe no que você não conhece como eu mergulhei. Não se preocupe em entender, viver ultrapassa qualquer entendimento.
C. Lispector
sexta-feira, 3 de julho de 2026
CLINT EASTWOOD
A visão de Clint Eastwood sobre a velhice é marcada pelo realismo e por sua famosa filosofia "não deixe o velho entrar". Ele descreve o envelhecer como uma liberação, onde se perde o medo da dúvida e da incerteza, mas reconhece que há um peso físico e emocional, incluindo a solidão.
Li um artigo essa semana sobre o Ator e deu-me um aperto no peito. Caminhamos na mesma esteira- O TEMPO. Lembro de todos os filmes dele que assisti. Confesso que torci que Francesca ( Mary Streep) abrisse aquela maçaneta e deixasse o mundo pra trás. - PONTES DE MADSON, anos 90. Inútil, o roteirista já tinha decidido por ela. O filme fala de desencontro, ou encontro extemporâneo. Mas se eles tivessem se encontrado fora daquele labirinto, talvez nenhum som teria vindo dos sinos. A maneira peculiar de Mary Streep sorrir sempre me definiu a escolha. Muito feminino, sensual, às vezes materno. Sendo assim o compromisso pessoal com a família falou a ela mais alto. Clin resiste ao tempo. Aos 96 anos, ele espera o inevitável, em pé, na porta da frente da sala, com desafio, como se dissesse :Estou aqui , quero ver você me derrubar olhando-me nos olhos. Ele considera que envelhecer não é desistir, mas sim deixar de ouvir o barulho interior. Gigante.
sexta-feira, 19 de junho de 2026
quinta-feira, 14 de maio de 2026
TODO AMOR É DE SALVAÇÃO
“Ninguém pode escrever um livro. Para que seja
verdadeiramente um livro, são necessários a aurora e o poente, séculos, armas e
o mar que une e separa”
Jorge Luís Borges
Venço, em pequenos passos sobre dunas de areias um Romance que tento construir. Eu não escrevo, eu o construo sob imagens nítidas que vi. Ninguém as viu, só eu.
Vi o mar e as casas destruidas, vi os coqueiros devorados pela maresia e crianças que corriam. Vi o clarão sobre a cumieira dos fornos grandes das cozinhas e a menina que entrou em uma casa que não era sua. Dedilhou a mesa como num recital de piano e adornou a alma com a vida tosca de um passado que lhe era ausente.
Não me é dado escolhas. Eu ouço o ranger das rodas das carroças, o cheiro matinal de pão, o riso . Eles estão lá em algum lugar nos becos da memória. Vi sobre a cama do quarto o véu da noiva esticado ao lado do vestido. Ela queria estar longe de tudo aquilo. Mas todos a esperavam na sala. Vi a casa e a moça em pé no primeiro degrau da escada, com muito medo da vida que se abria sem ela ter nada pedido.
Vi a moça que morava na praia encontrar o corpo do marido na entrada da casa , enrolado em sacos brancos nuviados de sangue. A vi permanecer na terra sitiada quando todos fugiram.
Vi a outra receber do mensageiro a caixa com toda a sua história dentro. Ela abriu a caixa - a louça embrulhada com cuidado e embaixo de tudo os papéis de sua própria genealogia. A vi procurar nas ruas de Haia reminescências já apagadas do passado. A vi decifrar mapas antigos de terras Brasis. Em que lado do mundo, a inglesinha pensou, fica o nordeste brasileiro?
Elas contam tudo ao mesmo tempo e é dificil entender.
- Uma de cada vez por favor!
Às vezes, elas revelam lutar por um Amor que acreditam. Aviso que moro no século XXI e hoje ninguém luta por nada, por isso cartas de amor e encontros românticos me são difíceis de descrever. Aviso que vivo um cotidiano ordinário , e há muito as pessoas que o habitam nada mais tem a se dizer. Nem o Eco divide o mesmo espaço. Um dia perguntei as moças porque me escolheram e elas disseram que pisamos as mesmas pedras do caminho. Nem tudo falei.
-Se não agora um dia.
Achei sem propósito a comparação, pois nunca tomei decisões impulsivas, nunca fui presa, nunca delirei com meus personagens, nunca vivi um Amor clandestino. Nunca me casei tantas vezes como uma delas e nunca abandonei minhas crenças e fui morar em outro país para todo o sempre. Elas, acreditem, riem do que falo.
-Eu levei meu filho, disse uma.
- Eu também disse a outra.
-Eu, disse a última, nunca os encontrei.
Todas se chamam Ana e viveram um ''Dia do Desespero". Alertadas de todas as limitações literárias que tenho, elas insistem.
Então: Velas ao mar!
quarta-feira, 13 de maio de 2026
ESTRELAS DUPLAS
Um encontro , às vezes, desmonta todo a rotina ordinária da vida.
Zárias atravessou a ponte de casa e a entrada principal da cidade , onde passava o maior período da manhã. Deu alguns passos e entrou no círculo claro, aonde sempre caminhava com mais cuidado, pois a visibilidade era como de estrada em nevoeiro. Alguns passos e bateu o ombro em alguém que caminhava em sua direção.
Zárias parou por uns segundos e olhou o desconhecido. Subitamente observou que há anos não ouvia uma comunicação verbal e não decifrou em princípio o dialeto. O estranho continuou:
_ Por favor você poderia me mostrar a saída? Acho que eu me perdi.
Zárias, sabia que conhecia a linguagem e estava diante de uma situação inusitada, dessas que acontecem a cada dez mil anos. Lembrou-se das lições de quando era criança, dos inúmeros idiomas e dialetos verbais que aprendera. Era hora de utilizá-lo.
- É...hã... Como vai? meu nome é Záiras. Eu vou ajudá-lo.
- Você pode me dizer porque raios, eu não estou enxergando nada. Acho que bati a cabeça.
_ Eu também, estou com dificuldades , saí de casa sem o devido preparo. Mas não se preocupe, me siga , a ponte não é muito grande, logo estaremos do outro lado.
Quando chegaram do outro lado, o estrangeiro olhou tudo a sua volta, não acreditando no que via. O Céu tinha uma tonalidade rósea e em alguns pontos cintilavam corpos aqui e ali. Não eram estrelas, flutuavam no ar, sumiam e apareciam continuamente.
- Vem cá, amigo isto aqui é algum planetário. Olha faz tempo que eu não vou num...
- Não , este é um dos céus de Sirius.
_ E aquilo ali, parecem... dois sóis?
_São dois sóis. Acho que você caiu aqui por engano.
_ E você que dizer que eu estou em outro...
_ Você está em outro mundo. Não sei como veio parar aqui , mas com certeza sua estada não deve durar muito tempo . Na sua contagem penso que alguns minutos.
_ È... acho que eu estou dormindo e devo acordar em alguns minutos ..., bem já que estou por aqui que tal você me mostrar tudo então . Eu não disse meu nome, meu nome é Zacarias.
_ Seja bem-vindo Zacarias, mas... estou desconfiado de alguma coisa... Eu já vi contar sobre acontecimentos como estes. Veja... estenda seu braço a sua frente.
O estrangeiro esticou o braço e foi como atravessar uma cortina invisível. Sentiu a umidade do ar e a vibração sobre sua mão. Viu um ponto de luz formando-se entre os dedos e puxou a mão rapidamente.
_ Agora vire -se de costa, de onde você veio, e tente esticar sua mão. O estranho obedeceu e encontrou uma parede rigída.
_ É vidro?
- É como se fosse, só que não se quebra , disse o dono da casa.
- Observe quando eu estico o meu braço, continuou. Atravessou com metade do braço a parede de vidro.
- Observe, disse ainda, que eu não consigo atravessar a parede a sua frente, como você fez.
- Você quer dizer que estamos presos aqui sobre essa ponte.
- Não, eu quero dizer que você segue em frente e eu sigo em direção contrária.
- Cara, você quer dizer que eu vou pro seu planeta e você segue pro meu?
- Parece que sim.
- Isto quer dizer que se isso não for um sonho, nós não voltamos para nossas casas?
- Com certeza...
- Eu vou te dizer uma coisa seu Záiras, só olhando o espetáculo no céu eu vou te dizer que seu planeta é fantástico.
_O seu, pelo que eu estudei, é belíssimo.
_ E como eu vou me comunicar. Todo mundo fala a minha língua como o senhor?
_ Os que não sabem se esforçam. Com o tempo o Senhor vai aprender de usar o pensamento em vez das palavras.
_Eu vou lhe adiantar também que as coisas por lá, aonde o senhor vai, são complicadas. Mas eu acho que o senhor se sairá bem.
_Faz tempo que recebi umas aulas sobre esse tipo de viagem. Vou procurar me lembrar durante o caminho. Boa sorte, Sr. Zacarias. Acho que o Senhor será feliz enquanto estiver por aqui.
_ Quer dizer que ainda vamos nos reencontrar?
_ Daqui a um tempo...
_Eu deveria alertar o Senhor Zairas , mas acho que o Senhor saberá fazer as melhores escolhas. Dê aqui um abraço.
sexta-feira, 8 de maio de 2026
PERSUASÃO
C'est si difficile de parler, si difficile de dire l'indicible, c'est si silencieux. Comment traduire le silence profond de la rencontre entre deux âmes? Cést extremement difficile à raconter: nous sommes regardés, et nous sommes resté ainsi quelques instants. Nous étions un seul être. C'est moments sont mon secret. Il ya avait ce qu'on appelle une communion parfaite. Je l'appelle: Um état de bonheur intense.
sábado, 2 de maio de 2026
Em '' A DESCOBERTA DO MUNDO''
![]() |
''Havia a levissima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às veze eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras- e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravm estarem juntos!
Até que tudo se transformou em Não. Tudo se transformou em nao quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela nao via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo erro, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavm mais bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome: porque quisera ser, eles que eram.. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo por não estarem mais distraídos.''
CLARICE LISPECTOR
terça-feira, 28 de abril de 2026
O ESTRANGEIRO
Quando amanhecia ele pulava da cama e em poucos minutos estava na rua. Antes de fechar a porta olhava as paredes da sala e não negava-lhes resposta ao aceno de: -Tenha um bom dia!
Anoitecia. Ele sentava-se na mureta e observava. Observava os outros homens que não conhecia e os que caminhavam , lá do começo da rua. Não sabia seus nomes nem suas histórias. Todos eram estranhos entre si. Temiam-se quando distraidamente tocavam-se e guardavam as mãos dentro dos bolsos. Com o passar do tempo como as pessoas não lhe dirigiam a palavra , restava-lhe apenas decifrar a a linguagem das folhas e flores . Respondia às indagações das paredes e com o tempo de todos os objetos da casa. O orgulho dos homens, pensava, é como a imobilidade das pedras: inútil e grande.
Havia as cores das flores: o burburinho que elas faziam quando ele chegava pela manhã e a cantoria de despedida no fim da tarde. Dizia adeus às pedras, devolvia-lhes o aceno.
L.A
segunda-feira, 27 de abril de 2026
SOBRE ESCREVER
''Às vezes tenho a impressão de que escrevo por simples curiosidade intensa. É que, ao escrever, eu me dou as mais inesperadas surpresas. É na hora de escrever que muitas vezes fico consciente de coisas, das quais, sendo inconsciente, eu antes não sabia que sabia.''
C. Lispector
Escrevo quando tenho sentimentos tranversos. E eles passeiam como lagartixas frias e brancas, com seus olhos negros e inofensivos. Lindos. Nunca rouxinois azuis e verdes tremulando na janela. Isso são para pessoas que caminham pela vida com facilidade e elegância. A vida deu-me labirintos profundos que crescem todos os dias. Impossível vencê-los.
L.A
segunda-feira, 13 de abril de 2026
PONTE SOBRE ALMODOVAR- CONTO
Às vezes, vejo as fotografias impressas na parede da sala, foto em preto e branco, sem foco, feito neblina de inverno










