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sábado, 21 de fevereiro de 2026

DIÁRIO DE BORDO- (PERGUNTAS)

 


Lembrei-me no banho de um conto de Clarice. Não sei se vinha de LEGIÃO ESTRANGEIRA ou um outro catálogo mas lembro-me da menção aos Macacos. Não sei se ela apontava o andar deselegante e oscilante dos símios por se tratar de estranhezas, ou se eu, no papel de leitor/espectador decidi que  a estranheza interna,  tanto do rapaz como da moça não compreenderem o momento de estarem diante um do outro, os fazia cambalear. Mas era que nada tinha um referencial anterior, então eles não sabiam lidar com isso. Não eram pré adolescentes como no conto ''O primeiro beijo'', eram adultos e caminhavam numa tarde juntos.  Não vou lembrar o nome do conto, mas vou considerar a cumplicidade e defesa feminina que ela traçou por estar do lado de cá. Em qualquer circunstância, qualquer dos dois poderia embriagar o passo e parecer ridículo aos olhos do mundo. Mas  no caso, só a moça andava visivelmente bêbada. Contudo vamos considerar que Sentimentos visto de longe, ou são encantadores ou, como diz o poeta- Ridículos. Com certeza não para os que estão no palco: Você provavelmente pode esquecer o texto. Não deveria. Como explicar que  todas as cadeiras estão ocupadas e o Teatro está cheio? Como explicar a sensação que o chão está fugindo e que provavelmente você está entrando no que chamam modernamente de estado de pânico? Como a lagarta explica a si a metamorfose? 
Não gosto de textos que tentam explicar Clarice , é como se alguém dotado de uma verdade cirúrgica a tentasse diagnosticar. O que possa parecer patologia pode ser a súbita precariedade de como a pele recebe os dias. A estupidez é tentar explicar. 

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