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quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

NATAL- OS MELHORES PRESENTES



Presente- O Melhor presente de nossas vidas.

domingo, 16 de novembro de 2014

ENTRE ASPAS- MANOEL BARROS






"Para entrar em estado de árvore é preciso
partir de um torpor animal de lagarto às
3 horas da tarde no mês de agosto.

Em 2 anos a inércia e o mato vão crescer 
em nossa boca.
Sofreremos alguma decomposição lírica até
o mato sair na voz.
Hoje eu desenho o cheiro das árvores."


domingo, 14 de setembro de 2014

CANÇÃO DO DIA DE SEMPRE



MÁRIO QUINTANA


Tão bom viver dia a dia...
A vida assim jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens do céu...

É só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar !

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdida,
Atiro a rosa dos sonhos
Nas tuas mãos distraídas...



domingo, 29 de junho de 2014

A FLOR DO SONHO



Florbela Espanca- Livro de Mágoas

A flor do sonho , alvíssima, divina,
Miraculosamente abriu em mim,
Como se uma Magnólia de Cetim
Fosse florir num muro toda em ruína...

terça-feira, 17 de junho de 2014

A BOLA

LUIZ MARTINS DA SILVA

Bola em big-bang,
Expansão primordial,
Gênese inconclusa do universo.

Bola em Big Ben,
Pressão arterial do tempo,
Batimentos de Chronos. 

A bola de Euclides,
Forma das fórmulas,
Matriz de arquétipos.

A bola rolando no gramado,
Liberdade em geometria,
Esféricas performance do voo.

Elipses, parábolas e tangentes.
O Cosmo se espia no instante
Pleno, perfeito, perplexo do gol.

Nelson, o Rodrigues, a lenda criou:
Da madame, atônita, no Maracanã:
"Quem, afinal é a Bola?".





terça-feira, 13 de maio de 2014

MOTIVO




Cecília Meireles

Eu canto porque o instante existe
E a minha vida está completa
Não sou alegre nem sou triste
Sou poeta.

Irmão das coisas fugidias
Não sinto gozo nem tormento
Atravesso noites e dias
No vento.

Se desmorono ou edifico
Se permaneço ou me desfaço
Não sei, não sei
Não sei se  fico ou passo.

Sei que canto e a canção é tudo
Tem sangue eterno e a asa ritmada
Um dia sei que estarei mudo:
- Mais nada.

Fotografia- "mateus ataide'' por André Kalvin

domingo, 27 de abril de 2014

SOMOS TODOS UM







                                          “O fluído cósmico é o plasma divino, hausto do Criador ou força nervosa do Todo Sábio. Nesse elemento primordial vibram e vivem constelações e sóis,  mundos e seres como peixes no oceano.”
                                                                                           
                                                                                                                                            André Luis 





     Às vezes, o silêncio funde-se com o canto das cigarras. Percebo que quando silenciamos, elas dão-nos em troca um som contínuo e pulsante. Assim acontece quando ouvimos o canto dos pássaros, ou tentamos captar o imperceptível ruído dos seres que se arrastam nos galhos das árvores. Há um mundo preste a abrir-se quando silenciamos. Há um mundo mergulhado no vácuo do Criador. Ele pulsa, canta e ri.
    
     Ele diz que viemos de uma única célula que cresceu e se transformou numa grandiosidade. Diz que o plasma divino permeia as coisas que fazem o mundo: o ar, os homens, a vida que segue em frente. Que os seres e coisas que constroem o mundo são feitos de matéria divina e por isso não se deve ferir o tecido da criação. Ferir este tecido nos coloca num estado avesso às coisas de Deus e assim sofremos.

     Quando o Cristo abriu-nos os sentidos da Verdade, deu-nos o grande segredo da felicidade. Amar, o segredo da abundância, do sucesso, da harmonia social, do crescimento, da paz interior. Mergulhemos nossas dificuldades, nossos temores, nossas dúvidas neste vácuo que permeia as galáxias, os sóis, as coisas da Terra, os nossos dias. Nademos com felicidade nesse oceano de paz, e tenhamos a certeza que tudo está interligado, que a matéria que constitui o universo é sagrada. Da imensurável grandeza do Cosmo ao pulsar dos elétrons, somos todos Um.

Luísa Ataíde





segunda-feira, 31 de março de 2014

DOS DEUSES









LUIZ MARTINS DA SILVA





Quando os deuses choram
Não é que sejam rudes,
São somente luscos
De rios e chuviscos.

 Deuses mal contêm
As suas poluções,
São resinas sagradas
De seivas cósmicas.

 Quando os deuses riem,
São lágrimas indianas,
Ancestrais estamparias
De padrões fractais.

Ah! Os deuses nos invejam
Nas nossas conjunções,
Eles não são navios
Fundeando em portos.

Deuses não devem gulas,
Pois, são de perpétuo êxtase,
São de gozosos mistérios,
Comuns a nos soçobrar.