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domingo, 24 de julho de 2016

CIDADE DO PORTO




Há no Douro um secreto silêncio nas águas turvas 
Peixes ligeiros espelham memórias apagadas.
Enquanto o barco desliza , vejo a espuma correr nas hélices da proa.
A cidade em volta é cor e riso
A cidade resiste no calor da tarde,
Entre Vila Nova de Gaia e o Porto, festejo estar.

L.A


domingo, 29 de maio de 2016

A VIDA É UMA DANÇA





André Luiz, uma psicografia de Chico Xavier

          Quando uma porta se fecha, outra se abre; quando um caminho termina, outro começa... nada é estático no Universo, tudo se move sem parar e tudo se transforma sempre para melhor.
Habitue-se a pensar desta forma: tudo que chega é bom, tudo que parte também. É a dança da vida... dance-a da forma como ela se apresentar, sem apego ou resistência.
Não se apavore com as doenças... elas são despertadores, têm a missão de nos acordar. De outra forma permaneceríamos distraídos com as seduções do mundo material, esquecidos do que viemos fazer neste planeta. O Universo nos mandou aqui para coisas mais importantes do que comer, dormir, pagar contas....


Viemos para realizar o Divino em nós. Toda inércia é um desserviço à obra Divina. Há um mundo a ser transformado, seu papel é contribuir para deixa-lo melhor do que você o encontrou. Recursos para isso você tem, só falta a vontade de servir a Deus servindo aos homens.

Não diga que as pessoas são difíceis e que convivência entre seres humanos é impossível. Todos estão se esforçando para cumprir bem a missão que lhes foi confiada. Se você já anda mais firme, tenha paciência com os seus companheiros de jornada. Embora os caminhos sejam diferentes estamos todos seguindo na mesma direção, em busca da mesma luz.

E sempre que a impaciência ameaçar a sua boa vontade com o caminhar de um semelhante, faça o exercício da compaixão. Ele vai ajudá-lo a perceber que na verdade ninguém está atrapalhando o seu caminho nem querendo lhe fazer nenhum mal, está apenas tentando ser feliz, assim como você.
Quando nos colocamos no lugar do outro, algo muito mágico acontece dentro de nós: o coração se abre, a generosidade se instala dentro dele e nasce a partir daí uma enorme compreensão acerca do propósito maior da existência, que é a prática do AMOR. Quando olhamos uma pessoa com os olhos do coração, percebemos o parentesco de nossas almas.
Somos uma só energia, juntos formamos um imenso tecido de luz. Não existem as distâncias físicas. A Física Quântica já provou que é tudo uma ilusão. Estamos interligados por fios invisíveis que nos conectam ao Criador da Vida. A minha tristeza contamina o bem-estar do meu vizinho, assim como a minha alegria entusiasma alguém do outro lado do mundo. É impossível ferir alguém sem ser ferido também, lembre-se disso.
O exercício diário da compaixão faz de nós seres humanos de primeira classe."


segunda-feira, 14 de março de 2016

RIOS



                                                                        


O maior universo natural é um rio. Ele vai em frente, esconde vidas, é transparente por natureza, e é possível ouvir o seu silêncio.
                                                     
L.A.
fotografia- Josilda Leite

sábado, 23 de janeiro de 2016

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

OS MISTÉRIOS DE UDOLPHO- PEDRAZUL EDITORA (livros- os melhores presentes)




A  PEDRAZUL EDITORA lança a preciosa edição em português do Brasil, de  OS MISTÉRIOS DE UDOLPHO, em dois volumes. Falar de Ann Racliffe para mim sempre foi fascinante, a biografia da escritora tem sido  meu  alvo de pesquisa nos últimos anos. Ann é uma das personagens de fundo,  do romance em gestação.
Ainda não cheguei ao meio do primeiro volume de Os mistérios de Udolpho, a casa está revirada estou de mudança, contudo entre caixas e caixotes , sento às vezes no chão e leio um capítulo.
Sempre tenho a impressão que sei o que ela vai dizer na próxima linha. Acho que eu estava em Londres, quando a primeira edição foi publicada. Com certeza uma daquelas moçoilas sonhadoras que devoravam os primeiros escritos dela. A paixão não é de hoje.

Genial a ideia da PEDRAZUL de lançar clássicos ingleses não editados no Brasil. Eu que apenas li O ITALIANO ,uma edição portuguesa, e OS CASTELOS DE ATHLIN E DUBAYNE, este em inglês, apelando muito para o dicionário on line, achei que nunca leria  um livro da autora ( de carreirinha, como diria minha avó) estou mesmo em êxtase.  

Para quem não conhece a editora vale a pena conferir a grandiosidade de seu trabalho: 

obs: a edição é um primor, com certeza uma boa ideia de presente para o final do ano.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Entre aspas- Clarice





Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.
Clarice Lispector

domingo, 2 de agosto de 2015

SOBRE A ARTE DO CONTO EM LUISA ATAIDE


«Na verdade, um escritor nunca está só.
 Na verdade, um escritor tem a divindade nos dedos ao criar pessoas, escrever estórias e decidir destinos»
     Luisa Ataíde “O Entregador de livros” (Crônica)


   Entre o sonho e a escrita há milhões de chaves de cofres entreabertos. Entre estas chaves gostaria de colocar a contista brasileira Luisa Ataíde.
     Mas as chaves procuram a fechadura de um secreto jardim. É um jardim de magnólias. A magnólia, uma flor que pode ser também o nome de uma mulher tal como acontece no conto “O Rouxinol e a Cotovia”. Eis pertinho de nós essa mulher-personagem que se transfere da alma da escritora para a folha de papel, com todo o mistério da escritora e da personagem: “Se pudesse, eu escreveria tudo que vivo num diário e depois de findo o dia, voltaria ao passado, estendida sobre uma cama com lençóis branquinhos”. Rebuscando-se e desocultando-se, há um sentido novo e inesperado neste, como o há igualmente em muitos outros dos seus contos.
     Encontramos, a cada momento, Luisa Ataíde a escrever com a singeleza e a criatividade de um princípio do mundo. Cada conto é uma história a que Luisa Ataíde transmite uma novidade, uma intensidade desconstrutora daquilo que ultrapassa a lógica. Essa mesma lógica que transborda do real. Real e aparência, lógico e irracional, verdadeiro e falso entrecruzam-se como num bailado, na escrita de Luisa Ataíde.
     Na autora de «O Cemitério de Estrelas»  ̶  um dos seus mais belos contos  ̶  a literatura é uma reconstrução a partir de ruínas. O mundo é representação de alguma coisa que não está lá, mas que nós lhe atribuímos. E a atribuição de alguma coisa mais ao mundo é transferida para a força imagética presente nos contos de Luisa Ataíde. Escreve em «O Rouxinol e a Cotovia»: “Enquanto todos dormem espero o sono que ronda o quintal lá fora”. Em «Ponte sobre Almodóvar», destacamos a frase: “Das paredes nasciam lentamente as vibrações da música”. E do conto «O Cometa Azul», não resistimos a esta metáfora: “O Menino passou naquela casa, que nem era realmente uma casa, apenas uma semana”.
     No site internético “Harmonia do mundo” têm sido publicadas muitas destas peças literárias que nós colocaríamos na linha de Clarisse Lispector ou de Fernando Pessoa. O som e a voz inaudível de Luisa Ataíde são a plenitude na escrita densa e simples desta autora nascida no Rio de Janeiro, em 1957.
     Candidata a alguns prémios literários, desde o «Prémio Rachel de Queiroz (2º Concurso Literário)», a «Anjos de Prata» e ao «Delicatta – Projecto Literário», em todos ficaria classificada em primeiro lugar. Os poucos contos publicados em livro estão esparsos por Colectâneas, mas não estão reunidos em obra de sua exclusiva autoria. Esperamos ver, em breve, a reunião de todos aqueles textos que têm estado a ser publicados apenas em site ou blogues internéticos. 
     No caótico cenário da criação primordial a autora molda cada palavra como se fosse ainda uma palavra desconhecida, esquiva e sem um destino. Tudo nela está envolto numa poeticidade de raiz. “As lembranças estavam se tornando branquinhas como areia entre os dedos e distante como um canto de infância”, escreve Luisa Ataíde em «O Poço dos Desejos». Em «Os Girassóis Azuis», avança: “A parede da sala de jantar é de vidro e pode-se ver o vento balançando as pétalas grandes”. No conto «A Caixa», diz a certo passo: “Tentou olhar o planeta mais de perto e olhou o endereço entre os dedos”. Transcrevemos ainda uma PASSAGEM de «Quartos Crescentes»: “O relógio sobre a mesa insiste em dar voltas em torno das três horas”.
     A surrealidade é uma marca do conto de Luisa Ataíde, mas essa surrealidade assume uma inegável importância porque imbuída de uma candura inexplicável a tocar aquilo que há de mais belo na natureza humana.
     Podíamos multiplicar os exemplos da riqueza metafórica e do esplendor artístico do conto surrealista de Luisa Ataíde. Cada conto de Luisa Ataíde é uma obra de arte. As palavras surreais, adivinhando-se nas significações e nos sentidos, tocam o céu com o toque do realismo naturalista presente num humano a transcender-se na imaginação da construção literária.
     Os jogos das palavras articulam-se com os jogos das ideias e estes emaranham-se nos jogos das significações que se enovelam, por sua vez, com os jogos dos sentimentos forjados nas tempestades da vida quotidiana, designadamente da mulher.
    Em todos os contos de Luisa Ataíde há uma poética que joga incessantemente com as entrelinhas da arte da escrita. Com a ingenuidade lúdica com que cobre a literatura, Luisa Ataíde inscreve-se na mais alta ficção de Língua portuguesa.
     A sua sabedoria descobre-se a cada frase. O seu domínio da palavra  traça-lhe um lugar de destaque na arte de construir novos edifícios na ficção. Com um sentido da arte de escrever apurado, transmite o sonho como se fosse um devaneio que só tem verdadeiro sentido quando a conduz à escrita.
     A autora de «O Cometa Azul» ou de «Deixai Vir a Mim» revela a força da palavra a transfigurar-se em artista do conto. Aqui está Luisa Ataíde a escrever pequenos contos de encantar, como se cada um deles fosse uma vida inteira. Em cada um deles vive sempre o delírio da sua enorme criatividade literária.  Com a arte ao serviço da imaginação, arrisca as palavras como se pintasse uma pequena tela. Aqui a pintura que ela não tem também deixado de cultivar.
     Com as palavras, Luisa Ataíde desenha enredos labirínticos e solta deles um cântico poético. As palavras entrecruzam-se num discurso diegético de claro-escuro, em que emerge uma verdadeira teia teatral, como se fosse uma irrupção vulcânica de sentidos. A propósito, relevo uma PASSAGEM do conto intitulado «No coração de Bodhisattva Guan-Yin»: “O primeiro diagnóstico que recebemos era uma palavra feminina e grande”. Aqui vemos Luisa Ataíde correndo atrás das palavras como se elas fossem os únicos sinais ou os guias exclusivos de uma vida entrecortada por estranhas formas de vida.
     Em cada um dos seus belos contos somos confrontados com um mundo a tocar a simplicidade de uma chávena de café ou de um canto de ave ou, muito simplesmente, de um silêncio cortado pelo perfume do incenso.

Lisboa, 25 de Março de 2010
Teresa Ferrer Passos

segunda-feira, 13 de julho de 2015

ALICE E ANA



        
      Não havia dias claros para Alice. Enquanto os gatos subiam o telhado, ela riscava com o dedo o caminho das estrelas pequeninas do céu. As vezes,  um vento gordo e ruidoso  batia as janelas da casa e derramava para dentro do quarto as lágrimas da noite. A menina enfileirava os soldados prontos para guerra -  guerreiros armados até os dentes que atravessavam pântanos  e dunas para chegar ao campo de batalha. Eles sempre  cantavam durante o trajeto. Nenhum dos soldados em trajes de gala esperava encontrar os inimigos. Sonhavam com bolos matinais e beijos de noiva e riam, talvez do ritmado eco dos passos nas pedras. Iam em frente.

          A menina trancava todas as pequenas  pedras no armário de roupas, pois eram parte de castelos e terraços, e tinham cheiro de jardim. Não havia brinquedos na casa, era uma infância nua de cores e sons. Era um quarto branco e grande, fundo e oco  como um baú de madeira e todass as dezenas de camas ao lado estavam vazias, sempre.

          Naquela noite, Alice deixou aberta a janela e o sopro do vento fez tremer o apanhador de sonhos por três vezes. Este leve movimento a fez adormecer e mudar de casa. Era agora a casa de janelas e portas de desenhos sinuosos na madeira - alecrins dourados , longos e doces, ornamentavam a fachada. As portas e janelas só abriam por dentro. Além disso  o caminho estreito que subia até a entrada da casa não convidava às visitas. Quando a nova moradora viu-se dentro da casa, olhou o teto azul que movia-se passo a passo e seguiu com ele por corredores e escadas. Não sentiu nenhuma vontade de abrir nenhuma das portas, procurava um pequeno ruído, quase um canto. Colocava junto as portas o ouvido para aprisionar a música. Ela conhecia o som, ela conhecia os versos, ela os encontraria. Subiu o mais rápido que pôde e dobrou os passos à direita.  Viu o lastro luminoso que vinha. Era um cântico de infância nascia entrecortado por  tropeços de palavras, era a memória de alguém que fragmentava os versos. Era uma voz de criança.

           Abriu com força a última porta. A claridade a impediu de ver. Esperou um pouco. A menina de costa, voltou-se ligeiro e sorriu.

L.A

domingo, 31 de maio de 2015

domingo, 24 de maio de 2015

LEMBRETE


" Só para lembrar: No final deste filme a gente morre. Então cante , dance, ria, encante, espalhe amor e seja grato por cada minuto da sua vida"

(desconheço a autoria)


sábado, 21 de fevereiro de 2015

ENTRE ASPAS



"A glória da amizade não é a mão estendida, nem o sorriso carinhoso, nem mesmo a delícia da companhia. É a inspiração espiritual que vem quando você descobre que alguém acredita e confia em você." (Ralph Waldo Emerson)

sábado, 31 de janeiro de 2015

DIUTURNO










Hoje sei que os poetas são outros, trazem o líquidos das esferográficas nas veias e equações insolúveis nos bolsos.

 Luisa Ataide

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

NATAL- OS MELHORES PRESENTES



Presente- O Melhor presente de nossas vidas.

domingo, 16 de novembro de 2014

ENTRE ASPAS- MANOEL BARROS






"Para entrar em estado de árvore é preciso
partir de um torpor animal de lagarto às
3 horas da tarde no mês de agosto.

Em 2 anos a inércia e o mato vão crescer 
em nossa boca.
Sofreremos alguma decomposição lírica até
o mato sair na voz.
Hoje eu desenho o cheiro das árvores."


domingo, 14 de setembro de 2014

CANÇÃO DO DIA DE SEMPRE



MÁRIO QUINTANA


Tão bom viver dia a dia...
A vida assim jamais cansa...

Viver tão só de momentos
Como estas nuvens do céu...

É só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio
Sempre é outro rio a passar.

Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar !

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdida,
Atiro a rosa dos sonhos
Nas tuas mãos distraídas...