Um encontro , às vezes, desmonta todo a rotina ordinária da vida.
Zárias atravessou a ponte de casa e a entrada principal da cidade , onde passava o maior período da manhã. Deu alguns passos e entrou no círculo claro, aonde sempre caminhava com mais cuidado, pois a visibilidade era como de estrada em nevoeiro. Alguns passos e bateu o ombro em alguém que caminhava em sua direção.
Zárias parou por uns segundos e olhou o desconhecido. Subitamente observou que há anos não ouvia uma comunicação verbal e não decifrou em princípio o dialeto. O estranho continuou:
_ Por favor você poderia me mostrar a saída? Acho que eu me perdi.
Zárias, sabia que conhecia a linguagem e estava diante de uma situação inusitada, dessas que acontecem a cada dez mil anos. Lembrou-se das lições de quando era criança, dos inúmeros idiomas e dialetos verbais que aprendera. Era hora de utilizá-lo.
- É...hã... Como vai? meu nome é Záiras. Eu vou ajudá-lo.
- Você pode me dizer porque raios, eu não estou enxergando nada. Acho que bati a cabeça.
_ Eu também, estou com dificuldades , saí de casa sem o devido preparo. Mas não se preocupe, me siga , a ponte não é muito grande, logo estaremos do outro lado.
Quando chegaram do outro lado, o estrangeiro olhou tudo a sua volta, não acreditando no que via. O Céu tinha uma tonalidade rósea e em alguns pontos cintilavam corpos aqui e ali. Não eram estrelas, flutuavam no ar, sumiam e apareciam continuamente.
- Vem cá, amigo isto aqui é algum planetário. Olha faz tempo que eu não vou num...
- Não , este é um dos céus de Sirius.
_ E aquilo ali, parecem... dois sóis?
_São dois sóis. Acho que você caiu aqui por engano.
_ E você que dizer que eu estou em outro...
_ Você está em outro mundo. Não sei como veio parar aqui , mas com certeza sua estada não deve durar muito tempo . Na sua contagem penso que alguns minutos.
_ È... acho que eu estou dormindo e devo acordar em alguns minutos ..., bem já que estou por aqui que tal você me mostrar tudo então . Eu não disse meu nome, meu nome é Zacarias.
_ Seja bem-vindo Zacarias, mas... estou desconfiado de alguma coisa... Eu já vi contar sobre acontecimentos como estes. Veja... estenda seu braço a sua frente.
O estrangeiro esticou o braço e foi como atravessar uma cortina invisível. Sentiu a umidade do ar e a vibração sobre sua mão. Viu um ponto de luz formando-se entre os dedos e puxou a mão rapidamente.
_ Agora vire -se de costa, de onde você veio, e tente esticar sua mão. O estranho obedeceu e encontrou uma parede rigída.
_ É vidro?
- É como se fosse, só que não se quebra , disse o dono da casa.
- Observe quando eu estico o meu braço, continuou. Atravessou com metade do braço a parede de vidro.
- Observe, disse ainda, que eu não consigo atravessar a parede a sua frente, como você fez.
- Você quer dizer que estamos presos aqui sobre essa ponte.
- Não, eu quero dizer que você segue em frente e eu sigo em direção contrária.
- Cara, você quer dizer que eu vou pro seu planeta e você segue pro meu?
- Parece que sim.
- Isto quer dizer que se isso não for um sonho, nós não voltamos para nossas casas?
- Com certeza...
- Eu vou te dizer uma coisa seu Záiras, só olhando o espetáculo no céu eu vou te dizer que seu planeta é fantástico.
_O seu, pelo que eu estudei, é belíssimo.
_ E como eu vou me comunicar. Todo mundo fala a minha língua como o senhor?
_ Os que não sabem se esforçam. Com o tempo o Senhor vai aprender de usar o pensamento em vez das palavras.
_Eu vou lhe adiantar também que as coisas por lá, aonde o senhor vai, são complicadas. Mas eu acho que o senhor se sairá bem.
_Faz tempo que recebi umas aulas sobre esse tipo de viagem. Vou procurar me lembrar durante o caminho. Boa sorte, Sr. Zacarias. Acho que o Senhor será feliz enquanto estiver por aqui.
_ Quer dizer que ainda vamos nos reencontrar?
_ Daqui a um tempo...
_Eu deveria alertar o Senhor Zairas , mas acho que o Senhor saberá fazer as melhores escolhas. Dê aqui um abraço.



