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terça-feira, 29 de setembro de 2026

NORTE OU SUL?

 








Minha mais remota lembrança é uma Casa Amarela. Ela tem mais de um andar, eu estou sentada na frente da casa. É uma casa grande e cabem muitas manhãs. Não sei quantos anos  tenho ao estar sentada diante dela. Não sei se  a lembrança atravessou séculos ou são lembranças recentes, de tardes de infância.  Acompanha-me a certeza de que existe uma ponte em arcos a poucos quilometros da casa. O rio desliza sob a ponte e a água é turva.

 Lembro-me dos tetos altos das cozinhas trançados de palhas. Essa lembrança mora do outro lado da memória e cheira a biju assado no forno grande.

Em outros dias, ouço da memória, o barulho nervoso de patas de cavalos. Estou dentro de casa e por ter medo encosto à parede da sala. Essa memória mora muito distante, é o que sei.  

Um dia num leilão vi um sofá colonial vermelho e me encantei com ele. E lá estava eu numa disputa e acabei arrematando. Aquele sofá estava nas minhas lembranças e era preciso reavê-lo. 

Na  sala, onde moro,  tem uma ROSA DOS VENTOS. Eu a vi numa loja de piso de Shopping e fiquei presa nas curvas do círculo e as pontas como lança me imobilizaram. Em algm lugar da memória o desenho fez parte de mim. Fui buscá-lo. 

Chega-me a lembrança da presença de um  Menino. Temos a mesma idade e corremos pela casa. Nos acomodamos no  mesmo colo de mãe. Em outros dias ele mora na casa vizinha e vem comer bolo de trigo todas as tardes. Fazemos juntos a lição de casa. Em memórias outras que se aproximam ele apenas passa na rua e volta a cabeça enquanto acena de longe. Naquela existência foi a única vez que o vi, através das grades do jardim. Não pude trazê-lo como se faz com mobília e piso.

Quando as centelhas de pensamentos passarem por você antes do sono, acompanhe-as sem julgamento. Deixe-as circular a cama,  o teto, os lençois.
 Elas voltam, sempre voltam.
 

segunda-feira, 28 de setembro de 2026

REFLEXÃO

 



O que nos faz forte
não é a espada
o corte, o sangue derramado.


O que nos faz forte
é o abraço, o riso, o perdão
a prece , a mão desarmada
a esperança reconstruída.

( sopro ao ouvido)