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sábado, 5 de novembro de 2011

DESPEDIDAS


LUIZ MARTINS DA SILVA

Custam-me as antevésperas das partidas,

tanto me constrangem na espera


as horas do sem fazer.


Adianto ânsias de embarques,


embargo-me em saudades que até sinto,


mas que de verdade ainda estão por vir.


- E então, quando vais?


- É pra já. É só um bocadinho.


Ter que dizer adeus é como estar presente ao próprio funeral.


E não fica bem a quem já se sabe longe


estar a comprar jornais,


bisbilhotar miudezas em tabacarias,


dobrar esquinas,


encontrar conhecidos:


-- Não fostes, ainda?!


Incômoda ambigüidade esta,


de estar sem já não ser.


Uma vez anunciado,


é-se obrigado a partir,


ainda que os pés se entortem para trás,


ainda que possas virar estátua de sal.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O EXÉRCITO DE CHIAN ( CONTO)






  Imagine que o universo é uma imensa máquina giratória. Você quer ficar perto do centro da máquina – bem no eixo da roda -, e não nas extremidades onde os giros são mais violentos, onde você pode se assustar e enlouquecer. O eixo da calma fica no seu coração. É aí que Deus reside dentro de você. Então, pare de procurar respostas no mundo. Simplesmente retorne sempre ao centro, e sempre vai encontrar a Paz.”
                                                  Do filme: Comer, Rezar e Amar.




           Júlia queria escrever uma novela. Seria uma novela como um novelo desenrolando vidas, em que se delineia a personagem como um esboço de desenho: gradual e matemático. Menos matemático e mais aleatório, menos nitidez num rosto desconhecido. E ela tinha pressa.

           Regina não tinha ainda sobrenome. Não, ela não era personagem de Júlia. Na verdade trabalhavam na mesma empresa, em prédios diferentes. Não se conheciam. Regina não decidira sobre assumir ou não o nome do noivo. A moça tinha uma centena de detalhes a acertar a seis meses do casamento: o local, a data, a lista de nomes. Tinha o riso de Léo sempre no canto da memória. Era delicado como pular poças de chuva aos seis anos de idade. Era suave e bom. E ela tinha pressa.

          Júlia desenhava o enredo da história alterando as cores, as frases, os nomes, datas e cidades, isto porque o marido revirava os textos e emails no computador, por pura impaciência diante das ausências dela. Júlia sentia a poeira incomodando a garganta e a falta de um copo de água sem gosto de cloro. Havia a menina para buscar à saída da escola, a organização das contas para pagar. Nas viagens ela sempre arrastava as malas pesadas até o carro. Ele nunca dividia as tarefas domésticas. Vamos conhecer Paris? Não, ele dizia - era o ponto final. Em dias frios e doídos havia o chá a ser feito. Ele saía para a caminhada matinal, a empregada levava o chá. Qualquer problema ela chama um táxi e vai para o hospital sozinha - pensava ele, num sacudir de ombros. Saía pausadamente em direção ao parque. Ele nunca tinha pressa.

          O dia que a moça entrou na igreja, todas as luzes se apagaram. Houve um entreolhar no escuro entre os presentes. Como ninguém via ninguém, houve apenas o intervalo da espera. Um espaço entre um ato e outro. Sinal de sorte. As luzes se acenderam e a moça desceu a escadaria em direção à nave nupcial. Havia o perfume de lírios e uma cor dourada que fazia da sala ladeada de véus e flores uma das moradas da casa de Deus. Havia a moça que sorria e via lá no meio do altar o riso de Léo. Nada mais era necessário. Nada.

          Kin, o marido de Júlia, tanto procurou que achou: o email endereçado a um estranho. Estranho a ele, pois havia uma intimidade de língua e dente. A quase carta falava de sentimentos e chuvas, de desencontros e dúvidas. A partir daí o apartamento virou um campo de batalha. Todas as munições contra o inimigo foram lançadas. Kin não se indagou onde estavam suas falhas. Júlia não se lembrava mais do encantamento dos primeiros dias, do som hipnótico, do trino aos ouvidos. Voltava há doze anos atrás e parecia ouvir os conselhos surdos da mãe quando falara pela primeira vez em unir seu destino ao de Kin.   A moça olhou o apartamento arrumado, os livros organizados na estante, as louças sobre a mesa da cozinha. Júlia estava cansada e já não se importava em salvar nada. Pegou as chaves do carro e foi buscar a menina na escola. Mais do que nunca  ela tinha pressa.

          Regina arrumou as malas. Júlia arrumou as malas, os livros, algum mobiliário. Queria apenas sair pelas portas dos fundos, sem gritaria, sem insultos. Regina e Léo pisaram a areia da praia do Caribe e eram o princípio de uma raça Adâmica que estava por vir. Eles eram a criação e a construção do mundo. Havia os frutos do Éden, as flores do Éden, o riso do Éden . A água límpida do paraíso de Deus.

          Quando silenciou-se a artilharia, Júlia foi embora. Arrumou os móveis no apartamento novo e inundou a casa com um Jazz rouco e macio como um abraço. Colocou os pés no sofá, espreguiçou-se em busca de um pensamento qualquer. Ninguém tentaria ler seu riso e seus olhos. Ficou um tempo entregue a única liberdade que existe: a de pensar. Júlia levou a menina à escola e no caminho de volta, lembrou-se que tinha um blog, uma novela por escrever, uma vida por reconstruir. Assistiu ao filme Comer, Rezar e Amar três vezes na mesma semana.

          Kin rugiu por semanas o abandono. Maldisse todas as uniões do mundo, e os campos tempestuosos que atravessou sopraram camadas de cinzas sobre seu templo  interior. Chorou horas no colo da mãe que remobiliou o apartamento. Comunicou aos amigos que não queria mais a esposa e que ele decidira pelo fim de tudo: isto deveria ficar bem claro.

           Às madrugadas, Kin atravessa a avenida e vai  à praça. Há fileiras de soldados em pé - descalços e estáticos. Vestem uniforme de campana e desce sobre eles uma fina chuva de pólen. Trazem uma pequena flor branca na mão direita e ao iniciar o movimento elas voam sobre eles, como um buquê de noiva rodopia um salão iluminado. O movimento é lento como a chuva sobre as cabeças e as mãos abrem contornos de círculos. Kin olha o exército de soldados que erguem a cabeça ao topo com leveza. Está parado em volta da praça, e observa os movimentos do Tai Chi: o avançar e recuar, o ir e vir, olhar a direita e a esquerda.
          È preciso vencer o movimento através da quietude, a rapidez pela lentidão. É preciso vencer a dureza através da suavidade.



Luísa Ataíde

 NOTA: No campo emocional o Tai Chi Chuan ensina a relaxar, a aceitar as negações do ser humano, a administrar os problemas. Uma  excelente maneira de combater o stress. Os movimentos lentos e sincronizados acalmam o cérebro e aumentam a capacidade de concentração , uma verdadeira meditação em movimento.
O texto foi inspirado em dois acontecimentos na mesma semana- Uma amiga me deu um convite de casamento e outra me comunicou o Divórcio.

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

SAUDADE



Pablo Neruda

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.


Gentilmente enviado por Osmar de Oliveira Aguiar

terça-feira, 4 de outubro de 2011

O OLHO DO SOL





LUIZ MARTINS DA SILVA



O Sol não é olho de Deus,

Mas pode ferir os seus.

Mesmo envolto em halo,

É Luz em modos de fala.



Olhar das civilizações,

À Luz que a todos induz,

Pensamentos de luscos

De que Luz maior nos pensa.



Nem a um louco acorreria,

Negar ao Sol alegoria,

Mirar de tanto disco

E ler tão somente faísca.



Mais que luz, sentimento,

A aquecer, brando e lento,

O beijo que a Luz orienta

Desde um outro Sol, lá dentro.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

INTROIBO

 


OLAVO BILAC

Sinto às vezes, à noite, o invisível cortejo
De outras vidas, num caos de clarões e gemidos:
Vago tropel, voejar confuso, hálito e beijo
De cousas sem figura e seres escondidos...

Miserável, percebo, em tortura e desejo,
Um perfume, um sabor, um tacto incompreendidos,
E vozes que não ouço, e cores que não vejo,
Um mundo superior aos meus cinco sentidos.

Ardo, aspiro, por ver, por saber, longe, acima,
Fora de mim, além da dúvida e do espanto!
E na sideração, que, um dia, me redima,

Liberto flutuarei, feliz, no seio etéreo,
E, ó Morte, rolarei no teu piedoso manto,
Para o deslumbramento augusto do mistério.


ÓLEO SOBRE TELA-   Van Gogh 

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

DIVERGÊNCIAS



FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER


Lembre-se de que as outras pessoas são diferentes e, por isso mesmo, guardam maneiras próprias de agir.

Esclarecer à base de entendimento fraterno-  sim, polemizar, não.
Antagonizar sistematicamente é um processo exato de angariar aversões.

Você pode claramente discordar sem ofender, desde que fale apreciando os direitos do opositor.

Afaste as palavras agressivas do seu vocabulário.

Tanto quanto nos acontece, aos outros querem ser eles mesmos na desincumbência dos comrpomissos que assumem.
Existem inúmeros meios de auxiliar sem ferir.

Geralmente nunca se discute com estranahos e sim com as pessoas queridas: visto isso, valeria a pena atormentar aqueles com quem nos cabe viver em paz?

Aprendamos a ceder em qualquer problema secundário, para sermos fiéis às realidades essenciais.

Se alguém diz que a pedra é madeira, é justo se lhe acate o modo de crer, mas se alguém toma a pedra ou a madeira para ferir a outrem, é importante argumentar quanto à impropriedade do gesto insano.

Do Livro- Sinal Verde

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

RECADO DA TERESA E DO FERNANDO PASSOS






«Nós somos os filhos das Mulheres. Têm uma paciência infinita para as nossas Brincadeiras.
Fizeram-nos para o mundo. No centro e na periferia da vida lá estão as Mulheres.
No caminho, entre ambos, também. Da Terra Nova ao Chile, do Brasil ao Japão,
de Marrocos ás Molucas, as Mulheres portuguesas fizeram o mundo.»



PARABENS AO MATEUS PELO SEUS 19 ANOS, NO DIA 19 DO 9º MÊS!
COINCIDÊNCIA QUE DEVERÁ SER UM MARCO BOM NA VIDA DO NOSSO AMIGO
MESMO SÓ EM ESPÍRITO, E NÃO SERÁ O ESPÍRITO O MAIS IMPORTANTE DE NÓS?
PARABÉNS À LUISA, MÃE TODA FEITA DE ALMA A
TRANSPARECER DOÇURA, MUITO ESPECIAL. PARABÉNS IGUALMENTE PARA SEU PAI.

Para o Mateus e sua mãe aqui vai uma passagem de F. Carvalho Rodrigues (Físico, autor do livro "Convoquem A Alma"):

Um abraço de Parabéns do Fernando.

O voto de que este dia seja um dia de Alegria,
um novo princípio, uma nova e grande travessia do deserto
para chegar a um magnífico oásis!

domingo, 18 de setembro de 2011

A HORA DO LODO



Luiz Martins da Silva

Um uivo me desperta, a índole do lobisomem.
É quando todo o peso do mundo sobrevém.
A orbe, esfera magma, pesa-me sobre os nervos,
Atlas ergue o mundo acima dos meus ombros!


Se sinto, sou; se sou, sinto: emito o som de um guincho!
Revirando a existência, busco no monturo,
Um caco no lixo que me espelhe menos monstro,
No fundo de um funil, algo feito que me redima.

Sou, tão somente sou, medida de uma condição,
Hora de buscar, no abissal vão do desespero,
Nesgas de virtudes em meio à legião de tantos erros.

No porão da consciência, um vulto, semblante de aleijão;
Metade anjo, metade lobo; o sábio ficou bobo;
O sóbrio é um bêbado, afogando-se em vômitos de lodo.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

sábado, 10 de setembro de 2011

ENERGIA CÓSMICA UNIVERSAL



"Somos consciências quânticas habitando receptáculos de matéria condensada. Se não fosse dessa forma, não poderíamos expressar a nossa presença nesta dimensão densificada. Entretanto, nosso potencial não está na densidade, mas sim, na sutileza da composição química, fisica e biológica dos nossos centros de força, os quais estão conectados a toda energia universal. Assim, devemos nos perceber como seres sutis, pois a nossa permanência na criação se dá por infinitos feixes de quanta gravados nas dimensões e infradimensões eternas. "

Gesiel Albuquerque : link

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

EQUÍVOCOS LITERÁRIOS- No caminho com Maiakóvski




NO CAMINHO, COM MAIAKÓVSKI

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakósvki.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho e nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz:
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas no tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares,
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo.
Por temor, aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
                        o coração grita - MENTIRA!

Nota: parte do Poema acima, atribuído a Vladmir  Maiakóvisk( poeta russo) ou a Bertold Brecht na verdade foi escrito pelo poeta brasileiro EDUARDO ALVES DA COSTA , nascido em Niterói  em 1936.
O texto abaixo, com a mesma ressonância poética é de Bertold Brecht:

Primeiro levaram os negros.
Mas não me importei com isso.
Eu não era negro.
                                               Em seguida levaram alguns operários.
                                             Mas não me importei com isso.
                                              Eu também não era operário.
                                              
                                              Depois prenderam os miseráveis.
                                              Mas não me importei com isso.
                                              Porque eu não sou miserável.
                                              Depois agarraram uns desempregados.
      Mas como tenho meu emprego, também não me importei.
      Agora estão me levando.
       Mas já é tarde.
        Como eu não me importei com ninguém.
         Ninguém se importa comigo.
Bertold Brecht  (1898-1956).

terça-feira, 30 de agosto de 2011

A SAÚDE E O NÃO PERDÃO



LOUISE L. HAY

Sempre que estamos doentes, necessitamos procurar dentro de nossos corações para descobrirmos  quem precisamos perdoar. O conhecido livro Course in Miracles diz. "Toda doença tem origem num estado de não-perdão e "sempre queficamos doentes, precisamos olhar à nossa volta para vermos a quem precisamos perdoar".
Eu acrescentaria a isso que a pessoa a quem você achar mais difícil perdoar é a DA QUAL VOCÊ PRECISA SE LIBERTAR. Perdoar significa soltar, desistir. Não tem nada a ver com desculpar um determinado comportamento. É só deixar toda a coisa ir embora. Não precisamos saber como perdoar. Tudo o que necessitamos fazér é estarmos dispostos a perdoar. O universo cuidará dos "como".
Compreendemos bem demais nossa própria dor. Como é difícil para a maioria de nós compreendermos que eles, sejam lá quem forem, precisam de nosso perdão, também estão sofrendo dor. Precisamos entender que eles estavam fazendo o melhor que podiam com a compreensão, a consciência e o conhecimento que tinham na época.
 Quando alguém vem a mim com um problema, não importa qual seja - má saúde, falta de dinheiro, relacionamento insatisfatórios, criatividade sufocada -, trabalho unicamente numa só coisa, ou seja, : em amar o eu.
Aprendi que, quando realmente amamos, aceitamos e aprovamos a nós mesmos exatamente como somos, tudo na vida funciona. Écomo se pequenos milagres estivessem em todos os cantos. Nossa saúde melhora, atraímos mais dinheiro, nossos relacionamentos tornam-se mais satisfatórios e começamos a nos expressar de forma plena e criativa. Tudo parece acontecer sem nem mesmos tentarmos.
Amar e aprovar a si mesmo, criar um espaço de segurança, confiança merecimento e aceitação resultará na criação da organização da sua mente, criará relacionamentos mais amorosos em sua vida, atrairá um novo emprego e um nvo e melhor lugar para viver, e até permitirá que seu peso corporal se equilibre. Pessoas que amam a si mesmas e aos seus corpos não se prejudiam e nem prejudicam os outros.
A auto-aprovação e auto-aceitação por aqui e agora são as principais chaves para mudanças positivas em todas as áreas de nossas vidas.
O Amar a si mesmo, amar o eu, começa com jamais nos criticarmos por nada. A crítica nos tranca dentro do padrão que estamos tentando modificar. A compreensão e o sermos mais gentis conoscos nos ajudam a sair dele. Lembre-se , vocês esteve se criticando por anos e não deu certo. Tente se aprovar e veja o que acontece.

Do livro- Você Pode Curar Sua Vida.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

NOS BRAÇOS DOS ANJOS



À memória, necessária , de Brenno Ataíde  Lessa


Nós não compreendemos muito.
Porque  por mais que tentamos traduzir os idiomas do mundo
Há a linguagem dos que não caminham um passo após o outro.
Eles saltam a janela, e vivem a plena capacidade de estar só.
Vivem só, riem só, sonham só. 
Há cores que só eles pintam, há trilhos que nunca alcançaremos.
Isso porque,  pisamos, apenas,  as pedras das ruas -  no máximo os telhados das casas.
Eles alcançam as asas do vento e às vezes tombam como pássaros feridos.
A palma da mão de Deus os acolhe e protege.
 O sopro da vida enche-lhes de novo os pulmões.
Porque a vida é cíclica e nunca se esvai.
Somos eternos.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

VECTOR NULO


  

FERNANDO HENRIQUE  DE PASSOS

Uma criança anda perdida no deserto.
Percorre há milênios os não-caminhos de areia.
Detém-se agora ante a magnificente esfinge
E faz-lhe uma pergunta.
O Sol abrasador enche tudo de silêncio.
A criança escolhe uma direção ao acaso
E continua a caminhar.

Do livro- Horas de Trevas, Horas de Luz

sábado, 13 de agosto de 2011

ENTRE OS ATOS- VIRGÍNIA WOOLF






Antonio Bivar prefaciou Entre os Atos , o último romance escrito por Virginia Woolf publicado postumamente, quatro meses depois de seu suícídio numa sexta-feira, 28 de março de 1941. Virginia estava com 59 anos quando afogou-se no Rio Ouse. A última pessoa que a viu, relata Bivar , foi John Hubbard, empregado de uma fazenda local. Hubbard contou que era por volta de 11h30 da manhã quando Virgínia , de sobretudo e bengala, passou por ele em direção ao rio.  Largou a bengala, enfiou pedras nos bolsos do casaco e entrou no rio. Deixara , em casa, cartas para o amigo Leonard e para a irmã Vanessa , que morava a poucos quilômetros da Fazenda. Na carta explicava ter certeza de estar ficando louca novamente e desta vez sem esperança de cura. Acreditava que nunca mais ficaria boa e não achava certo continuar dando trabalho aos aoutros. Escreveu ao marido:
"Querido, tenho a certeza que estou enlouquecendo de novo. De modo que estou fazendo o que parece melhor. Não consigo mais lutar. Sei que estou estragando a sua vida e que sem mim você poderá trabalhar. Você foi absolutamente paciente comigo e incrivelmente bom. Se alguém pudesse me salvar, teria sido você. Não creio que duas pessoas tenham sido mais felizes do que nós fomos."
Ao descobrir as cartas , Leonard telefonou para Vanessa e , acostumado às rotas de Virgiínia foi até o rio onde encontrou, na margem, a bengala da mulher. Nos dias e semanas seguintes as buscas foram incessantes. Os jornais noticiaram o desaparecimento da escritora, amigos manifestaram profunda consternação e alguns escreveram obituários para os principais jornais ingleses. O corpo so foi encontrado três semanas depois, no dia 18 de abril, na outra margem do rio. Cinco adolescentes passeando de bicicleta pelas redondezas pararam para um piquenique e viramum corpo boiando entre arbustos. Correram a avisar a polícia. Era o corpo de Virginia Woolf. Leonardo foi sozinho à cremação , em Brighton.
Virgínia , assim que terminou de datilografar Entre os Atos  entregou o livro para o escritor e amigo John Lehmann que agora era sócio de Leonard Woolf na editora Hogarth Press , que ela e o marido haviam fundado em 1917. Imediatamente após entregar o livro veio a insegurança. Pediu a Lehmann que adiasse a publicação, que não viu motivo para adiamento. Virgínia sempre temia a reação de amigos e da crítica , ao lançar novas obras, com esse romance sentia-se mais apreensiva do que nunca. Contudo, todos que a conheciam tinham a erteza de que, como ela havia superados as outras crises, com tratamento e repouso, embora sob os cuidados da médica e amiga Octavia Wilberforce, ela acabaria superando mais essa crise. Todos acreditavam nisso , menos Virginia. Mesmo com a cabeça explodindo de ideias projetos sentia estar perdendo a energia criativa e que seu tempo havia passado, Com a guerra ninguém queria saber de livros. Mecklenburgh Square, onde ficava a última residência londrina do casal Woolf é posta abaixo num bombardeio. A casa em Tavistock Square , onde também viveram tantos anos, antes de se transferirem para Mecklenburgh Square tamvém fora destruída. "Tudo é entulho onde escrevi tantos outros livros", ela escreve no diário. 
Em Entre os  Atos se fundem fragmentos de poesia, versos e rimas infantis, provérvios, notícias da guerra ,  elementos pós-freudianos, em seu espetáculo- produzido com parcos recursos ( lençois pintados representando a Civilização em ruínas). Miss La Trobe, a personagem , se empenha para que todos entendam que a história nada mais é que repetição sem sentido. A única alternativa é a voz dos poetas - delicada, pura, musical e incorruptível.