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segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

MEDITAÇÃO





Urgente é entendermos que antes de tudo CRISTO significa respeito ao outro, que a mensagem do EU SOU é tecida no liame da amorosidade. Amar o outro é considerar que ele também tem algo a ensinar-nos. Se temos por urgência a Boa Nova do Evangelho é possível entregá-la pelo exercício do amor e antes de tudo, como fez o Cristo - pelo exemplo. Nada é mais urgente do que a paz dentro de nós. A partir desta paz é possível olhar em volta e ver a grandeza da criação, amar o arrastado caminhar da pequena lagarta, amar brisas leves e tempestades. É possível, assim, começar a amar o outro. Povos houve que nunca conheceram a oração do Pai Nosso, que até hoje, não entendem o simbolismo da cruz. Atravessaram desertos e campos verdes, nascer e pores de sol com o coração voltado aos rituais pagãos. Não podemos,contudo, afirmar que eles não tiveram uma conexão com Deus. É o caminho de cada povo ao crescimento pleno da espiritualidade. Alio-me ao exército de sonhadores que acreditam que dia haverá que não seremos cristãos, budistas, hinduístas, ou seja lá que nome inventemos, mas sim a grande raça humana-irmã, unida, filha de um único Deus. Deus-Pai que ensinou-nos que a amar ao próximo como amamos a nós mesmos é o grande segredo de dias melhores. Feliz Natal mesmo aos que, ainda, não acenderam a luz do Cristo em suas vidas.

Luísa Ataíde.

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

O SÁBIO E A LENDA


FERNANDO HENRIQUE DE PASSOS- Lisboa, PT


 De dentro da noite, o sábio olhou a estrela, Uma estrela igual a cada estrela, Das muitas a brilhar dentro da noite. Se um dia fosse dia em vez de noite, Se um dia as leis fossem mais claras, Tão claras como é clara a luz do dia…
 Por certo, sabia muito o sábio, Mas, quanto mais sabia, Mais escura a noite se tornava. Se um dia uma estrela se soltasse, Se do céu caísse sobre a Terra, Contra as leis que o sábio conhecia…
 E o sábio tentou esquecer as leis Que com tanto trabalho descobrira, Mas as leis eram já parte do seu corpo. Contudo, uma estrela igual às outras, Que o sábio avistara nessa noite, Sendo igual, parecia ser diferente…
Dentro da noite, o sábio recordou a lenda muito antiga que um dia ouvira a sua mãe: Uma estrela, uma gruta, um Salvador- Um Deus Menino! Se ao menos aquela estrela se movesse...
E a estrela começa a deslocar-se e o sábio segue-a, segue-a durante muitas noites. E a estrela detêm-se sobre a gruta, a mesma gruta de há cem séculos, a mesma lenda muito antiga...
 E a luz daquela estrela instaura o dia, o dia que o sábio nunca vira, nem mesmo sabia imaginar. E no centro do dia havia um Deus, um Deus Menino, o Deus de que falava a velha lenda...
 E a mãe do Menino olhava o sábio, e ao sábio parecia a sua mãe, a mesma a quem ouvira a louca lenda,  e o sábio chorou e, de joelhos sob um dilúvio de luz abrasadora, pôde enfim esquecer todas as leis...

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

MENSAGEM- MIRIAM CARVALHAL



Façamos de nossa vida uma extensão da noite de Natal,
renascendo continuamente em amor e fraternidade.
Natal, noite de alegria, Canções, festejos, bonança.
Que o seu coração e de sua família floresça em amor e esperança!



Um FELIZ NATAL E UM PRÓSPERO ANO NOVO!!!







sábado, 24 de novembro de 2012

AS SETE IDADES DA RAZÃO





Luiz Martins da Silva


I


Da primeira vez que se apresentou,

O mundo era simples, bom ou ruim,

Mas era ainda inteiro feito para mim,

Bem lambuzado, ora de prazer, ora de odor.


II


Quando libertado fui,

Das primeiras garras do egoísmo,

Alcei voo, mas ainda não voei,

Pregava-me à matéria espesso visgo.


III



Em seguida, veio com fervor propriamente a juventude,

E também aquela virulência de mudar o mundo,

Era ainda mistura, de alma pura e dilaceramento,

Entre a carne e a leveza; os vícios e as virtudes.


IV


Fez-se o homem, maduro, ainda que um touro,

Centauro imponente de fortaleza e gáudio,

Mas já uma refinada oitiva para a lira

Chamava-me para o que mais nos enleva de humano.


V


Veio essa era em que as heras se encravam pelos ombros,

Temerosas dos estranhamentos, quando a alma no espelho

Apresenta-nos o tempo feito vida estilhaçada na rasura

E a vaidade, no camarim, a nos pedir retoques em lápis-lazúli.


VI


Então, o medo do fim, uivo que de longe nos assombra,

Aproxima-se com as suas estações de climatério

A nos rachar os ossos, torcer as juntas, o pescoço, as nervuras...

Até nos transformar em alvas montanhas de doçura.


VII


Hora de exumar o que daqui ficou, na horizontal lavra,

Alquimia pretérita, síntese de fezes e de flores.

Bem que se ainda mais pudera, audazes ousaríamos

Ressurgir das cinzas, desafogar-nos da areia dos rios.


Fotografia- Ben Goosens

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

REFLEXÃO










A vida é, precisamente, a grande aventura de vivermos
mergulhados em tempos difíceis.
                                                              
                                                                                                              TERESA FERRER  PASSOS
 

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

BULA PARA DOR DE ALMA

 



Luiz Martins da Silva

I

Para saberes se a tens,
Na sua própria agudez,
É não haver sobre o tátil
Sentido algum de nudez.
II

E se ninguém souber da rua,
De fato, não vale o chão.
Melhor sonhar com alguém,
Do outro lado da Lua.
III

Hão de lhe servir água pura,
Alvíssimo orvalho de irmã,
Ao se admirar um cálice,
Ornado de flores, talismã.
IV

Ah! Quanto de vida a saber
Das revelações de um mapa,
Linhas das mãos, pentagramas,
De um filme que está por vir.
V

Acordar, bambo e zonzo,
A três mil milhas depois,
Sino que ainda ressoa
Do toque solene de um anjo.

sábado, 3 de novembro de 2012

MATRIZ ESPIRITUAL





"O Espírito é herdeiro de si mesmo, de seus atos anteriores que lhes plasmam o destino futuro do qual não consegue evadir-se. Cada espírito é um arquivo vivo de suas vidas."


Do livro; Loucura e Obsessão, Divaldo  Pereira Franco

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

MEL PARA FORMIGAS

Se você quando jovem teve a sorte de viver em Paris,
então a lembrança o acompanhará pelo resto da vida,
onde quer que você esteja, porque Paris é uma festa ambulante.
Ernesto Hemingway , do livro Paris é uma festa



Os Plátanos outonais que forram as praças que cercam a Champs Élysées nas manhãs de setembro são um tapete de folhas siennas que estalam sob os pés. Em que cidade as praças são douradas e as cúpulas e portões das catedrais nos gritam uma realeza que conhecemos apenas dos contos de Grimm. Estamos em Paris, a babel turística do mundo. Como distinguir um cidadão parisiense que vai para o trabalho, nos milhares de casacos escuros e botas de salto fino. Para nós, brasileiros em férias, eles representam a elegância de ser. Para eles, talvez leiamos a sorte por algumas moedas, talvez esbanjemos ouro. Na verdade somos a essência da mistura. Nem brancos nem negros, nem ricos nem pobres, e dizem que estamos na contramão econômica do mundo. Não que tenhamos tesouros, na verdade nosso grande segredo é o riso. O ruidoso riso de grupos de pessoas misturados à discrição e polidez de uma cidade. Senti isto, no trem que nos levava a Versalhes. Um grupo de músicos, não sei a nacionalidade, tocava instrumentos de sopro e corda, o que alegrava a viagem. Há quanto tempo eu não ouvia:

Ai, ai, ai.. ai.... está chegando a hora... o dia já vem raiando meu bem eu tenho que ir embora...

Cantamos como um grupo  colegial em férias. Provavelmente, pensei, enquanto o trem avançava: no Brasil, conhecemos a versão em português do folclore do mundo. Na verdade, descobri depois que  esta alegria melodiosa que dava a viagem um ritmo de infância festiva vem do México. Concluí na minha lógica latina que além das moedas ao chapéu estendido, poderíamos em agradecimento sorrir. De muitos passageiros do trem, os músicos não receberam uma moeda, um sorriso, um olhar.

Volto minhas recordações a esses dias em Paris. Nós nunca esqueceremos os jardins perfeitos em delicadeza e cores. O Grand e o Petit Palais, os corredores majestosos do Louvre. Nós nunca esqueceremos a elegância dos franceses e nossa estupefação à moça que pega o dinheiro e com a mesma mão escolhe o pão que nos entrega, sem lavá-las, sem a proteção de um guardanapo. Nós nunca esqueceremos as lojas cheias e os perfumes esplendorosos. O torcer do nariz quando eles percebem que você fala  francês com sotaque e a delícia que é jantar queijo e vinho na terra de Luis XV.

Estima-se que quinhentos mil brasileiros visitem Paris todos os anos. Por semanas deixamos nossas vidas  e atravessamos o oceano. Oxalá, a nossa simpatia e alegria contaminem as ruas históricas da capital turística do mundo. Que possamos compartilhar o que aprendemos nesses quinhentos anos de existência: superar as adversidades, e como dizemos  aqui: não desistir nunca. Ensinar e aprender fundem-se em compartilhar. Eis o verbo que resume a sabedoria da modernidade.

Luísa Ataíde

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

O CÃO





LUIZ MARTINS DA SILVA



Não sei o que de concreto contempla

Do mundo pela janela em neblina.

O dia, opaco, a existência infinda.

Eu é que vejo desertos, caravanas.






De repente, algo o incomoda, ladra,

Como se ainda existissem ladrões

E ameaças a circundar cidadelas.

Eu é que diviso pontos, muralhas.





Dali a pouco, recolha, novelo.

Já não é nem lobo, nem matilha,

Dormitando o casulo emprestado.




Estamos juntos, desde nossas gêneses.

Ele, até hoje, sem dias de amanhã.

Eu, cinjo o pescoço com um novo nó.

sábado, 4 de agosto de 2012

DOM DE VOAR


Luiz Martins da Silva



Esses versos, tão pequenos
Já herdei-os assim:
Ânsias de não sei o que,
De não sei quem os plantou,
Remotas lavouras de mim.


Às vezes, afoitos, leves,
Míticos, teimam em voar
Para algum lugar a Leste,
Onde é passível planar
Em consonância de brisas.


Outras, um instinto perverso
Os impede de sonhar,
Abandonando-os à míngua,
Num barco sem leme,
Sem remos, no meio do ar.


Sobrevivem, voltam sempre,
Pelos instintos de amar,
Que levam sempre a um porto
Nas asas de qualquer tema,
Ora, de ir; hora, de voltar

quinta-feira, 26 de julho de 2012

ORAÇÃO CELTA DO AMOR


Que jamais, em tempo algum,o teu coração acalente ódio.
Que o canto da maturidade jamais asfixie a tua criança interior.
Que o teu sorriso seja sempre verdadeiro.

Que as perdas do teu caminho sejam sempre encaradas como lições de vida.
Que a musica seja tua companheira de momentos secretos contigo mesmo.

Que os teus momentos de amor contenham a magia de tua alma eterna em cada beijo.

Que os teus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer.
Que cada dia seja um novo recomeço, onde tua alma dance na luz.

Que em cada passo teu fiquem marcas luminosas de tua passagem em cada coração.

Que em cada amigo o teu coração faça festa, que celebre o canto da amizade profunda que liga as almas afins.

Que em teus momentos de solidão e cansaço, esteja sempre presente em teu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa.

Que o teu coração voe contente nas asas da espiritualidade consciente, para que tu percebas a ternura invisível, tocando o centro do teu ser eterno.

Que um suave acalanto te acompanhe, na terra ou no espaço, e por onde quer que o imanente invisível leve o teu viver.

Que o teu coração sinta a presença secreta do inefável!

Que os teus pensamentos e os teus amores, o teu viver e a tua passagem pela vida, sejam sempre abençoados por aquele amor que ama sem nome. Aquele amor que não se explica, só se sente.

Que esse amor seja o teu acalento secreto, viajando eternamente no centro do teu ser.
Que a estrada se abra à sua frente.

Que o vento sopre levemente às suas costas.

Que o sol brilhe morno e suave em sua face.

Que respondas ao chamado do teu Dom e encontre a coragem para seguir-lhe o caminho.
Que a chama da raiva te liberte da falsidade.

Que o ardor do coração mantenha a tua presença flamejante e que a ansiedade jamais te ronde.
Que a tua dignidade exterior reflita uma dignidade interior da alma.
Que tenhas vagar para celebrar os milagres silenciosos que não buscam atenção.

Que sejas consolado na simetria secreta da tua alma.
Que sintas cada dia como uma dádiva sagrada tecida em torno do cerne do assombro.
Que a chuva caía de mansinho em seus campos...

E, até que nos encontremos de novo...
Que os Anjos lhe guardem na palma de Suas mãos.
Que despertes para o mistério de estar aqui e compreendas a silenciosa imensidão da tua presença.

Que tenhas alegria e paz no templo dos teus sentidos.
Que recebas grande encorajamento quando novas fronteiras acenam.
Que este amor transforme os teus dramas em luz, a tua tristeza em celebração, e os teus passos cansados em alegres passos de dança renovadora.
Que jamais, em tempo algum, tu esqueças da Presença que está em ti e em todos os seres.

Que o teu viver seja pleno de Paz e Luz!

quinta-feira, 5 de julho de 2012

AO PRÓXIMO


Dai-nos a palavra
que abre celas
que anestesia dores
que clareia os dias.


Dai-nos a palavra
que abre o riso
que ampara, que celebra esperança
e canta alegria.


Dai-nos a palavra
que nada pede,que equilibra
 que se entrega pelo riso alheio.


Dai-nos a palavra
que nos ensina a ser irmãos
que une as mãos silenciosas da prece.
Dai-nos a palavra
Amor

Reflexão- (Sopro ao ouvido- 4/7/2012)

quinta-feira, 28 de junho de 2012

REFLEXÃO





Dormimos nas cavernas escuras de nossos sentimentos
Ancoramos inertes no fundo de uma vida que estagna-se.
Necessário abrir os olhos da amorosidade.
Não há noite.
Há um dia claro
Sob as águas abissais de nossos corações
As flores cantam e vibram
As florestas crescem , a luz do sol avança.
A criação abre suas flores e frutos e nos dá dádivas de alegria.
Necessário trabalhar o contentamento para se chegar a alegria
A amorosidade edificará o pleno amor ao próximo
A plena felicidade de ir em frente.

(sopro ao ouvido- 27/06/2012)

quarta-feira, 27 de junho de 2012

TERESA FERRER PASSOS





"  _  Sinto no meu coraçao a ideia de que a vida é um feitiço maravilhoso; esta vida que eu tenho brotou das paredes da morte em que repousva nesse grande ovo, com movimentos quase imperceptíveis, e depositado nas margens arenosas e húmidas deste rio suave como a espuma de um mar imenso..."
                                                  Teresa Ferrer Passos (Lisboa- PT)
                                          Em: O Grão de Areia, contos- Universitária Editora, 1996.

sábado, 9 de junho de 2012

PERCEPÇÃO









"Nós aprendemos a conhecer Cristo de modo particular através dos missionários cristãos, e foi, muitas vezes, seu modo de ser cristão que nos escondeu Cristo. Até hoje eles têm procurado destruir nossas práticas religiosas com sua doutrina, forçando-nos a combatê-los para nos defendermos. Quando o homem luta, ele não é isento nos julgamentos. Assim nós, todos envolvidos pelo combate, ao golpear os cristãos, golpeamos também Cristo. E pensar em golpear como inimigos os grandes homens da terra é um suicídio. Na realidade, demonstrando o ódio pelo inimigo, estamos envilecendo os grandes ideais de nosso país, estamos nos apequenando."



Rabindranath Tagore - NOBEL DE LITERATURA,1913.

NOTA:

Rabindranath Tagore nasceu em 7 de maio de 1861, em Calcutá, Índia, então sob domínio britânico. Tagore era filho do reformador religioso hindu chamado Devendranath Tagore, que se encarregou de sua educação por não concordar com as coerções do ensino clássico. Entre 1878 e 1880, o escritor esteve na Inglaterra e conheceu a literatura e a música européias. O gênio prolífico e criativo do escritor se traduziu ao longo da vida numa vasta obra que abrangeu todos os gêneros e estimulou a renovação da literatura em língua bengali.Tagore faleceu em Santiniketan, Bengala, 1941, em 7 de agosto de 1941. Aclamado por Gandhi como "o grande mestre" e reconhecido por todos os indianos como "o sol da Índia".