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quinta-feira, 3 de outubro de 2013
sábado, 7 de setembro de 2013
A PÁTRIA
LUIZ MARTINS DA SILVA
Ela é a Gea, a mãe gentil,
Que a todos sustém,
Desde que há um pai, o Céu,
Que a cada chama de Eu.
Todos somos os seus filhos,
Em vida, artes, ofícios
E na invenção do que nos irmana
Em fervor, bandeira e língua.
Mas a Pátria é também o outro,
O qualquer ser falto de lastro
Com que cobrir do orvalho o rosto.
Tudo que Ela quer de nós é amor,
Não propriamente a si,
Mas, sobretudo, entre nós.
quarta-feira, 28 de agosto de 2013
IDENTIDADES BOTÂNICAS
Luís Martins da Silva
Aos ipês pouco restou de árvores.
São, agora, conosco, mais gente.
Querem, insinuam-se, insígnias,
A se gravarem em nossos emblemas.
Roxos, amarelos, brancos...
Arcaicos, ou já de cativeiros,
Eles se implantam, desde as planchetas,
Para as nossas avenidas e esplanadas.
Fazem parte, agora, das imagens,.
Páginas dos álbuns de família,
íntimas e urbanas paisagens.
Eu os recolho, com olhares meigos
Às tantas estações de minha vida,
Postais de afetos, mulheres e filhos.
quarta-feira, 7 de agosto de 2013
PÉS DESCALÇOS
Beatriz, aos vinte anos
comunicou-nos que ia deixar o mundo e ser Carmelita descalça. Lembrei-me
subitamente dela aos quatro anos, depois aos dez, usando óculos, depois
desabrochando de menina à moça. Todas as
fotografias desfilam diante de mim. Lembro-me da menina linda, olhando o mundo
com o queixo e os olhos de quem olha as nuvens - O cabelo numa desobediência
balança os pequenos cachos, milhares deles, soprados ao vento. Não sei dos
sentimentos dos outros, mas pensei imediatamente na saudade da mãe, do pai, do
irmão. Pensei em todos os que em
silêncio, tentavam entender. Vi as mãos estendida ao abraço e o toque nos ferros
enfileirados da cela. Bia não foge de uma desilusão, não tem medo de enfrentar
o mundo. Um mundo que derrete pelas bordas, que geme dor. É por este menino, que
chora no escuro, que as carmelitas oram. Oram antes do sol nascer, oram no
meio da tarde, oram ao por do sol. Bia, como todas as jovens Carmelitas, quer ser
criadora de fios: fios de amor e luz.
L.A
terça-feira, 23 de julho de 2013
NAS ASAS DA BORBOLETA
No mistério do sem-fim equilibra-se um planeta.
E, no planeta
um jardim
e, no jardim um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela o dia inteiro.
Entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta.
e, no jardim um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela o dia inteiro.
Entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta.
Cecília Meireles
quinta-feira, 4 de julho de 2013
ENTRE ASPAS
"Eu me lembro que um dia acordei de manhã e havia uma sensação de possibilidade. Sabe esse sentimento? E eu me lembro de ter pensado: Este é o início da felicidade. É aqui que ela começa. E é claro haverá muito mais. Nunca me ocorreu que não era o começo. Era a felicidade. Era o momento. Aquele exato momento."
Virgìnia Woolf
sexta-feira, 31 de maio de 2013
DEVOÇÕES
LUIZ MARTINS DA SILVA
Aos domingos, lá na feira,
Como parte de um culto,
Tantas provas em oferta,
Tenças de frutos em dádiva,
II
Chegando a estação da seca,
No ofício, o jardineiro,
Tange entulhos qual no hino
Que de fato louva ao vento.
III
São, assim, à sua maneira,
No linho as almas do povo:
Cinco da manhã, de vinda
E noutras tantas de volta.
IV
Pessoas de poucos números,
Mas de tanto molde em conta,
Como podem ser felizes,
Comendo marmita a um canto?
V
Eu os consagro na memória
Do confrade que já fui,
Na lavra e no eito, jornada,
De sol a sol, castos grãos.
VI
Carreiros, formigas humanas,
Na oração do trabalho,
Apostolado de doces,
Evangelistas de folhas.
VII
No sétimo dia, guardara;
No ócio das horas ocas,
O quinhão da santidade,
Dízimo da sexagésima.
sábado, 11 de maio de 2013
terça-feira, 7 de maio de 2013
AS DUAS CASAS
LUIZ MARTINS DA SILVA
A casa,
Já não é a mesma,
Da planta original,
Tantos acréscimos e adaptações.
Por fim, parei, desisti, ao descobrir:
Casas são projeções de um espaço mental.
Com seus labirintos de uma vida para dentro
E de tudo que nos habita em aposentos folhados.
Não tarde descubro, meu coração é só o âmago
De um universo de memórias e pulsações,
De uma história afetiva que emenda retalhos de tempos
Num cerzir constante de apreender amores.
Agora, estou mais leve,
Por saber das casas,
A de fora, concreta, finita.
A de dentro, autoconstrução interminável.
Agora, posso dormir,
E até acordar, tanto faz.
Já não me circunscreve aquele espaço
Aonde, indevidamente, escrevem: “Jaz”.
domingo, 14 de abril de 2013
ENTRE ASPAS
Porque somos imperfeitos, ou supomos sê-lo, a luz nos
ofusca.
E porque a luz nos ofusca
fechamos os olhos.
E tudo continua escuro.
KEILA ABREU
terça-feira, 19 de março de 2013
A PIPA E O TEMPO
LUIZ MARTINS DA SILVA
A pipa, empinada é mais que o pássaro,
Pois não avoa a ave acima do Sol:
Contra o olho, a pino,
O primor, prumo, rabiola e cerol.
O menino e a pipa aos céus,
São mais que arcanjos,
Pois mesmo não lhes sendo as asas,
Igualam-se em sonhos , alados querubins.
O menino avia, envia a pipa,
Como quem dá espinha ao peixe,
Para que tenha estrutura, navegue, flutue,
Sobrevoe o vago, alto mar, altivo.
Em breve o menino; a tarde; o orvalho...
O inquieto sopro da vida, a liberdade...
Enquanto a infância, não a leve o vento,
Não lhe cesse a brisa, tão logo ao trabalho.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
MY NAKED LUNCH
FERNANDO HENRIQUE DE PASSOS
A David Cronenberg e William S. Bouroughs
Há um mundo de sombras por detrás da estante.
Quero desvendá-lo.
Vibram as paredes animadas- som penetrante
Em que me embalo.
Um macaco azul de pênis vermelho
Cospe-me na testa.
Oiço um escaravelho:
"Hoje há uma festa".
Penumbra sem horas nem minutos:
A minha sombra esguia no soalho
Contorce-se em espasmos absolutos;
Eu estou imóvel; a lamparina arrefece-me o trabalho.
Símbolos caídos no cesto dos papéis:
Devo escrever mais.
Vejo autoestradas onde correm corcéis
Que me forram o peito de jornais.
Um copo de água sobre a mesa:
Cintilação de estrelas mortas:
Uma lua acesa
no estreito quarto de sete portas.
Os sete monstros passam a fronteira:
Estão deste lado.
Falam comigo da manteigueira;
Sou avisado.
Só quando toca a campainha
É que desperto do pesadelo:
a luz é minha.
(Mas o outro mundo, como esquecê-lo?)
sábado, 9 de fevereiro de 2013
EPÍTETOS PARA UM ASCETA
LUIZ MARTINS DA SILVA
À memória de Clésio Ferreira
(Dos irmãos, Clodo, Clésio e Climério).
Pessoas há que não passam,
Mesmo quando já trespassadas.
Olhar de amigo, lívido lírio.
Olhá-lo óvulo, voo, enlevo calmo.
Ia-se, nado, a braçadas para este Nada.
Que é o Tudo, ou é só um Vale.
Pedir-lhes-emos, agora, licença,
Por imagens, outras percepções.
Pessoas há que nem o são.
Se seres fossem, não doeriam.
Preferem crer, à moda dos cães.
Melhor não ser, a ser vil.
Ocultara-se, já quase casulo
Despregando vida como velcro.
Viver é só um curto invento.
Para enigmas de revelações.
sábado, 2 de fevereiro de 2013
MUSEU DE IMAGENS
LUIZ MARTINS DA SILVA
Não irei apelar
sentença
Menor que a de
Prometeu,
Ainda que um corvo me
escarne
Mais ave que um
último adeus.
Se bem lhe apraz, a
cabeça,
Se é pouco, quem sabe
o pescoço
E se já me lavaram os
ossos,
Que importa a caverna
no tórax?
Atendam-me num último
sonho:
De não me arrancarem
raízes
(Psiu! Lá, escondo
uma Fênix).
Memória não se emascula
Nem no profundo das
cinzas,
Simples figuras que
sejam.
segunda-feira, 24 de dezembro de 2012
MEDITAÇÃO
Urgente é entendermos que antes de tudo CRISTO significa respeito ao outro, que a mensagem do EU SOU é tecida no liame da amorosidade. Amar o outro é considerar que ele também tem algo a ensinar-nos. Se temos por urgência a Boa Nova do Evangelho é possível entregá-la pelo exercício do amor e antes de tudo, como fez o Cristo - pelo exemplo. Nada é mais urgente do que a paz dentro de nós. A partir desta paz é possível olhar em volta e ver a grandeza da criação, amar o arrastado caminhar da pequena lagarta, amar brisas leves e tempestades. É possível, assim, começar a amar o outro. Povos houve que nunca conheceram a oração do Pai Nosso, que até hoje, não entendem o simbolismo da cruz. Atravessaram desertos e campos verdes, nascer e pores de sol com o coração voltado aos rituais pagãos. Não podemos,contudo, afirmar que eles não tiveram uma conexão com Deus. É o caminho de cada povo ao crescimento pleno da espiritualidade. Alio-me ao exército de sonhadores que acreditam que dia haverá que não seremos cristãos, budistas, hinduístas, ou seja lá que nome inventemos, mas sim a grande raça humana-irmã, unida, filha de um único Deus. Deus-Pai que ensinou-nos que a amar ao próximo como amamos a nós mesmos é o grande segredo de dias melhores. Feliz Natal mesmo aos que, ainda, não acenderam a luz do Cristo em suas vidas.
Luísa Ataíde.
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