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sexta-feira, 31 de maio de 2013

DEVOÇÕES




LUIZ MARTINS DA SILVA

Aos domingos, lá na feira,
Como parte de um culto,
Tantas provas em oferta,
Tenças de frutos em dádiva,

II

Chegando a estação da seca,
No ofício, o jardineiro,
Tange entulhos qual no hino
Que de fato louva ao vento.

III

São, assim, à sua maneira,
No linho as almas do povo:
Cinco da manhã, de vinda
E noutras tantas de volta.

IV

Pessoas de poucos números,
Mas de tanto molde em conta,
Como podem ser felizes,
Comendo marmita a um canto?

V
Eu os consagro na memória
Do confrade que já fui,
Na lavra e no eito, jornada,
De sol a sol, castos grãos.

VI

Carreiros, formigas humanas,
Na oração do trabalho,
Apostolado de doces,
Evangelistas de folhas.

VII
No sétimo dia, guardara;
No ócio das horas ocas,
O quinhão da santidade,
Dízimo da sexagésima.


terça-feira, 7 de maio de 2013

AS DUAS CASAS



LUIZ MARTINS DA SILVA

A casa,
Já não é a mesma,
Da planta original,
Tantos acréscimos e adaptações.

Por fim, parei, desisti, ao descobrir:
Casas são projeções de um espaço mental.
Com seus labirintos de uma vida para dentro
E de tudo que nos habita em aposentos folhados.

Não tarde descubro, meu coração é só o âmago
De um universo de memórias e pulsações,
De uma história afetiva que emenda retalhos de tempos
Num cerzir constante de apreender amores.

Agora, estou mais leve,
Por saber das casas,
A de fora, concreta, finita.
A de dentro, autoconstrução interminável.

Agora, posso dormir,
E até acordar, tanto faz.
Já não me circunscreve aquele espaço
Aonde, indevidamente, escrevem: “Jaz”.