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sexta-feira, 9 de outubro de 2015

OS MISTÉRIOS DE UDOLPHO- PEDRAZUL EDITORA (livros- os melhores presentes)




A  PEDRAZUL EDITORA lança a preciosa edição em português do Brasil, de  OS MISTÉRIOS DE UDOLPHO, em dois volumes. Falar de Ann Racliffe para mim sempre foi fascinante, a biografia da escritora tem sido  meu  alvo de pesquisa nos últimos anos. Ann é uma das personagens de fundo,  do romance em gestação.
Ainda não cheguei ao meio do primeiro volume de Os mistérios de Udolpho, a casa está revirada estou de mudança, contudo entre caixas e caixotes , sento às vezes no chão e leio um capítulo.
Sempre tenho a impressão que sei o que ela vai dizer na próxima linha. Acho que eu estava em Londres, quando a primeira edição foi publicada. Com certeza uma daquelas moçoilas sonhadoras que devoravam os primeiros escritos dela. A paixão não é de hoje.

Genial a ideia da PEDRAZUL de lançar clássicos ingleses não editados no Brasil. Eu que apenas li O ITALIANO ,uma edição portuguesa, e OS CASTELOS DE ATHLIN E DUBAYNE, este em inglês, apelando muito para o dicionário on line, achei que nunca leria  um livro da autora ( de carreirinha, como diria minha avó) estou mesmo em êxtase.  

Para quem não conhece a editora vale a pena conferir a grandiosidade de seu trabalho: 

obs: a edição é um primor, com certeza uma boa ideia de presente para o final do ano.

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Entre aspas- Clarice





Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.
Clarice Lispector

domingo, 2 de agosto de 2015

SOBRE A ARTE DO CONTO EM LUISA ATAIDE


«Na verdade, um escritor nunca está só.
 Na verdade, um escritor tem a divindade nos dedos ao criar pessoas, escrever estórias e decidir destinos»
     Luisa Ataíde “O Entregador de livros” (Crônica)


   Entre o sonho e a escrita há milhões de chaves de cofres entreabertos. Entre estas chaves gostaria de colocar a contista brasileira Luisa Ataíde.
     Mas as chaves procuram a fechadura de um secreto jardim. É um jardim de magnólias. A magnólia, uma flor que pode ser também o nome de uma mulher tal como acontece no conto “O Rouxinol e a Cotovia”. Eis pertinho de nós essa mulher-personagem que se transfere da alma da escritora para a folha de papel, com todo o mistério da escritora e da personagem: “Se pudesse, eu escreveria tudo que vivo num diário e depois de findo o dia, voltaria ao passado, estendida sobre uma cama com lençóis branquinhos”. Rebuscando-se e desocultando-se, há um sentido novo e inesperado neste, como o há igualmente em muitos outros dos seus contos.
     Encontramos, a cada momento, Luisa Ataíde a escrever com a singeleza e a criatividade de um princípio do mundo. Cada conto é uma história a que Luisa Ataíde transmite uma novidade, uma intensidade desconstrutora daquilo que ultrapassa a lógica. Essa mesma lógica que transborda do real. Real e aparência, lógico e irracional, verdadeiro e falso entrecruzam-se como num bailado, na escrita de Luisa Ataíde.
     Na autora de «O Cemitério de Estrelas»  ̶  um dos seus mais belos contos  ̶  a literatura é uma reconstrução a partir de ruínas. O mundo é representação de alguma coisa que não está lá, mas que nós lhe atribuímos. E a atribuição de alguma coisa mais ao mundo é transferida para a força imagética presente nos contos de Luisa Ataíde. Escreve em «O Rouxinol e a Cotovia»: “Enquanto todos dormem espero o sono que ronda o quintal lá fora”. Em «Ponte sobre Almodóvar», destacamos a frase: “Das paredes nasciam lentamente as vibrações da música”. E do conto «O Cometa Azul», não resistimos a esta metáfora: “O Menino passou naquela casa, que nem era realmente uma casa, apenas uma semana”.
     No site internético “Harmonia do mundo” têm sido publicadas muitas destas peças literárias que nós colocaríamos na linha de Clarisse Lispector ou de Fernando Pessoa. O som e a voz inaudível de Luisa Ataíde são a plenitude na escrita densa e simples desta autora nascida no Rio de Janeiro, em 1957.
     Candidata a alguns prémios literários, desde o «Prémio Rachel de Queiroz (2º Concurso Literário)», a «Anjos de Prata» e ao «Delicatta – Projecto Literário», em todos ficaria classificada em primeiro lugar. Os poucos contos publicados em livro estão esparsos por Colectâneas, mas não estão reunidos em obra de sua exclusiva autoria. Esperamos ver, em breve, a reunião de todos aqueles textos que têm estado a ser publicados apenas em site ou blogues internéticos. 
     No caótico cenário da criação primordial a autora molda cada palavra como se fosse ainda uma palavra desconhecida, esquiva e sem um destino. Tudo nela está envolto numa poeticidade de raiz. “As lembranças estavam se tornando branquinhas como areia entre os dedos e distante como um canto de infância”, escreve Luisa Ataíde em «O Poço dos Desejos». Em «Os Girassóis Azuis», avança: “A parede da sala de jantar é de vidro e pode-se ver o vento balançando as pétalas grandes”. No conto «A Caixa», diz a certo passo: “Tentou olhar o planeta mais de perto e olhou o endereço entre os dedos”. Transcrevemos ainda uma PASSAGEM de «Quartos Crescentes»: “O relógio sobre a mesa insiste em dar voltas em torno das três horas”.
     A surrealidade é uma marca do conto de Luisa Ataíde, mas essa surrealidade assume uma inegável importância porque imbuída de uma candura inexplicável a tocar aquilo que há de mais belo na natureza humana.
     Podíamos multiplicar os exemplos da riqueza metafórica e do esplendor artístico do conto surrealista de Luisa Ataíde. Cada conto de Luisa Ataíde é uma obra de arte. As palavras surreais, adivinhando-se nas significações e nos sentidos, tocam o céu com o toque do realismo naturalista presente num humano a transcender-se na imaginação da construção literária.
     Os jogos das palavras articulam-se com os jogos das ideias e estes emaranham-se nos jogos das significações que se enovelam, por sua vez, com os jogos dos sentimentos forjados nas tempestades da vida quotidiana, designadamente da mulher.
    Em todos os contos de Luisa Ataíde há uma poética que joga incessantemente com as entrelinhas da arte da escrita. Com a ingenuidade lúdica com que cobre a literatura, Luisa Ataíde inscreve-se na mais alta ficção de Língua portuguesa.
     A sua sabedoria descobre-se a cada frase. O seu domínio da palavra  traça-lhe um lugar de destaque na arte de construir novos edifícios na ficção. Com um sentido da arte de escrever apurado, transmite o sonho como se fosse um devaneio que só tem verdadeiro sentido quando a conduz à escrita.
     A autora de «O Cometa Azul» ou de «Deixai Vir a Mim» revela a força da palavra a transfigurar-se em artista do conto. Aqui está Luisa Ataíde a escrever pequenos contos de encantar, como se cada um deles fosse uma vida inteira. Em cada um deles vive sempre o delírio da sua enorme criatividade literária.  Com a arte ao serviço da imaginação, arrisca as palavras como se pintasse uma pequena tela. Aqui a pintura que ela não tem também deixado de cultivar.
     Com as palavras, Luisa Ataíde desenha enredos labirínticos e solta deles um cântico poético. As palavras entrecruzam-se num discurso diegético de claro-escuro, em que emerge uma verdadeira teia teatral, como se fosse uma irrupção vulcânica de sentidos. A propósito, relevo uma PASSAGEM do conto intitulado «No coração de Bodhisattva Guan-Yin»: “O primeiro diagnóstico que recebemos era uma palavra feminina e grande”. Aqui vemos Luisa Ataíde correndo atrás das palavras como se elas fossem os únicos sinais ou os guias exclusivos de uma vida entrecortada por estranhas formas de vida.
     Em cada um dos seus belos contos somos confrontados com um mundo a tocar a simplicidade de uma chávena de café ou de um canto de ave ou, muito simplesmente, de um silêncio cortado pelo perfume do incenso.

Lisboa, 25 de Março de 2010
Teresa Ferrer Passos

segunda-feira, 13 de julho de 2015

ALICE E ANA



        
      Não havia dias claros para Alice. Enquanto os gatos subiam o telhado, ela riscava com o dedo o caminho das estrelas pequeninas do céu. As vezes,  um vento gordo e ruidoso  batia as janelas da casa e derramava para dentro do quarto as lágrimas da noite. A menina enfileirava os soldados prontos para guerra -  guerreiros armados até os dentes que atravessavam pântanos  e dunas para chegar ao campo de batalha. Eles sempre  cantavam durante o trajeto. Nenhum dos soldados em trajes de gala esperava encontrar os inimigos, sonhavam com bolos matinais e beijos de noiva e riam, talvez do ritmado eco dos passos nas pedras. Iam em frente.

          A menina trancava todas as pequenas  pedras no armário de roupas, pois eram parte de castelos e terraços, e tinham cheiro de jardim. Não havia brinquedos na casa, era uma infância nua de cores e sons. Era um quarto branco e grande, fundo e oco  como um baú de madeira e todas as centenas de camas ao lado estavam vazias, sempre.

          Naquela noite, Alice deixou aberta a janela e o sopro do vento fez tremer o apanhador de sonhos por três vezes. Este leve movimento a fez adormecer e mudar de casa. Era agora a casa de janelas e portas de desenhos sinuosos na madeira - alecrins dourados , longos e doces, ornamentavam a fachada. As portas e janelas só abriam por dentro. Além disso  o caminho estreito que subia até a entrada da casa não convidava as visitas. Quando a nova moradora viu-se dentro da casa, olhou o teto azul que movia-se passo a passo e seguiu com ele por corredores e escadas. Não sentiu nenhuma vontade de abrir nenhuma das portas, procurava um pequeno ruído, quase um canto. Colocava junto as portas o ouvido para aprisionar a música. Ela conhecia o som, ela conhecia os versos, ela os encontraria. Subiu o mais rápido que  e pôde e dobrou os passos a direita.  Viu o lastro luminoso que vinha. Era um cântico de infância nascia entrecortado por  tropeços de palavras, era a memória de alguém que fragmentava os versos. Era uma voz de criança.

           Abriu com força a última porta. A claridade a impediu de ver. Esperou um pouco. A menina de costa, voltou-se ligeiro e sorriu.

L.A

domingo, 24 de maio de 2015

LEMBRETE


" Só para lembrar: No final deste filme a gente morre. Então cante , dance, ria, encante, espalhe amor e seja grato por cada minuto da sua vida"

(desconheço a autoria)


terça-feira, 5 de maio de 2015

NEPAL, NEPAIS



 LUIZ MARTINS DA SILVA


Ai, de ti, Nepal,
Logo, tu e os teus,
Na reverência aos budas,
Cerimonial de escombros.

Imaginei e indaguei,
Por que não eu,
Vivente errante, filisteu,
Certamente, indigno.

O mundo acode a ti
E aos teus em compaixão,
Hoje, toneladas em aviões,
Amanhã, tuas crianças, quem dera.

Tão cedo monges,
Tão cedo sutras,
Récitas de agradecimento,
Mesmo ao terremoto.

Moto contínuo, perpétuo,
Não sendo aqui o Nirvana,
Tudo ilusão, segue o mantra,
Mas, é mais que nosso umbigo.

Obrigado, Deus, ao Nepal,
Obrigado Deus pelos amigos,
Obrigado, Deus pelos antepassados,
Obrigado, Deus por sermos filhos teus.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

ENTRE ASPAS



"A glória da amizade não é a mão estendida, nem o sorriso carinhoso, nem mesmo a delícia da companhia. É a inspiração espiritual que vem quando você descobre que alguém acredita e confia em você." (Ralph Waldo Emerson)

sábado, 31 de janeiro de 2015

DIUTURNO










Hoje sei que os poetas são outros, trazem o líquidos das esferográficas nas veias e equações insolúveis nos bolsos.

 Luisa Ataide