MENTALIZAÇÃO POSITIVA PELO PLANETA

domingo, 7 de fevereiro de 2010

CLARA CLARICE


Foi quando percebeu que só tinha nas mãos cacos, que eram tão pequenos que não podia emendá-los. Foi quando percebeu que a luz que abre os dias é a pura claridade dos dias e o que mata sede é água. Foi como acordar lúcido e sujo numa calçada. Diante de uma saída tão estreita, acabou concordando que a realidade tinha sua fatia sem matéria. Ela não: tinha um rosto, cabelos, fome e sede. Fome e sede... O pior era que o tempo passava.

Resolveu não mais sair de casa e a viver num estado de desistência. Na calma de nada entender trancava gavetas, portas e janelas. O que não convivia bem consigo, era não se achar de confiança e quase sempre não caber em si. Sua felicidade consistia em ter um sentimento secreto de inexatidão. O dia que tudo lhe parecesse matemático, teria a impressão cômoda dos dias. Constatou então, que colocavam um fim fora de lugar. Na verdade amava ter sido dois. Julgou que se fosse a outra parte seria mais fácil; contudo sabia que não sendo o lado feminino da história, jamais alcançaria esse estado de inquietação, de querer saber o que um homem sente. Eram territórios sem fronteiras.

Estava de través, como se qualquer outra posição a desequilibrasse. Sabia que não poderia permanecer por muito tempo assim, esse estado de alvoroço anestesiava e tirava-lhe o sono. Passou a viver num estado de Desistência. Da desistência chega-se à loucura, esta é uma mulher insone, uma canção sem voz.

Por muito tempo, sua única ligação com o mundo era o rapaz da mercearia que às Quintas-feiras trazia as verduras.

-Dona Clara! Gritava do portão.

Também aconteceu: "O tempo pôs-se a correr, a correr, a correr, e o mato cresceu ao redor, ao redor..."

Ela era por liberalidade sua própria feiticeira.

Aí, vem o dia que a maior das artes humanas vence: A Sobrevivência - estado latente de defesa. Até ali, não ter certezas era o fruto que carregava em silêncio. Com habilidade mestre , colocou-o sobre a mesa e o partiu, como se procurasse a menor das células. Embuída que estava do mesmo sentimento que Deus teve no dia que resolveu fazer o mundo, abriu as janelas da sala.

A umidade da casa atravessou a varanda.

L.A

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Canção aos olhos e ouvidos de Sônia Schmorantz





BRINCAR DE RIMAR

Sônia Schmorantz



Eu quero qualquer coisa mágica,

qualquer coisa azul,

qualquer forma de ser feliz.

Não quero acordar cedo,

quero prolongar o sonho

mesmo
que a história seja trágica.

Não quero sonhos falsos,

Não quero destino já traçado,

Não quero uma vida básica.

Não quero restos ou pedaços

Não quero olhar o relógio,

Não quero um tempo sádico.

Quero valer um mar azul

uma estrela na varinha de condão

um poema de efeito mágico,

que seja fácil, que seja simples,

nem litúrgico, nem letárgico,

mas que fale ao coração…






NOTÍVAGA

Sônia Schmorantz


Sou notívaga, perambulo nas madrugadas

como as corujas, empertigadas, em cima dos muros.

Ouço os sons da madrugada, os que estão fora e
os que tenho dentro de mim.

Silêncios quebrados por sons de pássaros noturnos,
pessoas que passam, chave na fechadura, criança que chora.

cortam a madrugada o choro dos amores mal resolvidos,
Os sonhos ainda não vividos, o som de risos perdidos na memória.

A madrugada está cheia de sons, música transcendental, natural
que não precisa de cordas ou teclas, vem no assobio do vento
ou nos acordes dos pingos de chuva na velha calha.

Não sei que hora o relógio marca, sei que estou acordada,
que o poema não deixa de ser uma oração silenciosa,
será que Deus ouve melhor nessa hora?

Resta depois esta vontade de chorar diante da beleza,
Resta esta súbita saudade de tudo e de nada,
até que os sons se esmaeçam enternecidos no sono
que finalmente chega…


Nota : Textos e fotos do Blog visual e poético de Sônia Schmorantz

Vale muito conhecer: ILHA DA MAGIA

LINK


domingo, 31 de janeiro de 2010

em M ovi men¬t o



DOMiNGOS sÃO rios de risos em sonhos
curvos, zonsos, fundos.

São cataVentos coloridos
vagos, inúteis, sURDOS.

dOMINgOS cheiram a maçã e missa
vagas lembranças de dias sem sol.

à TARDE, apontam o trilho ligeiro dos dias
Zunem versos roucos no ouvido

Abrem os riscos contínuos na estrada
distorcem o contorno das folha nas árvores.

SAL_ tam os muros secretos dos dias
Dos dias que chegam depois de amanhã.

Sunday, sundAY , CAdê você?

L.A

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Luzes e Caminhos


Luiz Martins da Silva

São tantas metáforas

Que se fazem aos caminhos,

Que andar nem é tino

É alegoria de mirar.


Caminho, camino, caminno,

Senda, sendero, chemin,

Caminito, trilha, vereda,

Serventia de andaluzes.


Lâmpada, lamparina, archote,

Lanterna, tocha, fósforo,

Única brasa que seja,

Quanto mais raio, corisco.


Lua, estrela, via láctea,

E ainda que seja a noite, nua,

Espesso breu dos navegantes

Faíscam pedras nos cascos os rocinantes.


E que aos mortos não se neguem lumes,

Pois morrer será a própria eterna treva.

Que se lhes acendam velas, candelabros,

Fileiras ardentes, vigílias de castiçais.


Mas, mais que todas as luzes acesas

São os olhos das musas os grandes sinais,

A nos guiar qual do sol as labaredas,

Pois facho maior que do amor não há farol.


Sobre o autor: Luiz Martins da Silva nasceu em Nova Russas (CE), em 03/09/1950. Em Brasília desde 1970; formado em Jornalismo e mestre em Comunicação pela UnB; doutor em Sociologia (UnB/Universidade Nova de Lisboa); jornalista desde 1975 (Jornal de Brasília, O Globo e Veja, entre outros). Professor da Faculdade de Comunicação da UnB, desde 1988; e pesquisador do CNPq, desde 1996. Participação, entre outras, da antologia Poesia Jovem – Anos 70. Integrou a Geração Marginal.

Bibliografia: Rua de Mim; Comigo Foi Assim; Brasilinhas; Breviários; e Realejo. Foi um dos organizadores da antologia de poesia Águas Emendadas (1977). Autor de vários livros e trabalhos acadêmicos na área de Comunicação.


segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A ETERNIDADE


de Arthur Rimbaud


De novo me invade.
Quem?
A Eternidade.
É o mar que se vai
Como o sol que cai.

Alma sentinela,
Ensina-me o jogo
Da noite que gela
E do dia em fogo.

Das lides humanas,
Das palmas e vaias,
Já te desenganas
E no ar te espraias.

De outra nenhuma,
Brasas de cetim,
O Dever se esfuma
Sem dizer: enfim.

Lá não há esperança
E não há futuro.
Ciência e paciência,
Suplício seguro.

De novo me invade.
Quem?
A Eternidade.
É o mar que se vai
Com o sol que cai.

Tradução: Augusto de Campos

Gentilmente enviado por Osmar Oliveira Aguiar

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

ABISMO DE ROSAS







Américo Jacomino, o Canhoto, compositor e instrumentista, nasceu em 1889 . Brasileiro, filho de imigrantes napolitanos, nunca freqüentou escola. Desde garoto interessou-se por violão, que tocava, mesmo sem inverter as cordas, na posição de canhoto, o que deu origem a seu nome artístico. Aos 16 anos começou sozinho a aprender cavaquinho, época em que já tocava em serenatas.

Em 1907, durante uma serenata no bairro da Mooca, conheceu o cantor Paraguaçú, com quem começou a apresentar-se em cinemas, circos e restaurantes.
Em 1913, já conhecido na capital paulista como bom violonista, gravou pela primeira vez, na Odeon, na série 120.000, a valsa Belo Horizonte, a polca Pisando na mala. Compôs aos dezesseis anos Abismo de Rosas, clássico do violão brasileiro.
Já em 1916 gravou suas valsas Beijos e lágrimas e Acordes do violão, primeiro título de Abismo de rosas.
Gravou em 1918 os tangos Madrugando e Recordações de Cotinha. Na época da Primeira Guerra Mundial, compôs a Marcha triunfal brasileira .

Em 1919, foi convidado, a formar um trio com Viterbo Azevedoe Abigail, uma menina , para apresentações teatrais, em que Viterbo encarnaria o Jeca Tatu, famoso personagem de Monteiro Lobato.No mesmo ano o Trio Viterbo-Abigail-Canhoto estreou em São Paulo e em seguida excursionou por cidades do interior . Em dezembro foi para o Rio de Janeiro, dando um recital de violão no Teatro Lírico.

Inicia em 1920 a produção de músicas carnavalescas, embora continuasse a compor outros gêneros. Lançou, para o Carnaval daquele ano, Ai, Balbina e no ano seguinte Já se acabô (ambas com Arlindo Leal). Logo depois instala-se em S.Paulo, onde abriu loja de instrumentos musicais. Foi um dos pioneiros, ao lado de Paraguaçu, da Rádio Educadora Paulista, primeira emissora do Estado.
Em 1922 gravou a Marcha triunfal brasileira e regravou Abismo de rosas. Um ano depois gravou como cantor a Marcha dos marinheiros e no ano seguinte o samba Só na Bahia é que tem (ambos de sua autoria).
No ano de 1927, no Rio de Janeiro, participou do concurso O que é Nosso, patrocinado pelo jornal Correio da Manhã e realizado no Teatro Lírico, quando executou três músicas de sua autoria, a Marcha triunfal brasileira, Viola Minha Viola e Abismo de Rosas, vencendo o concurso e recebendo o título de Rei do Violão Brasileiro.
Em março de 1928 retornou ao Rio de Janeiro, gravando algumas de suas composições em solos de violão e cavaquinho, adoece e é levado de volta a São Paulo , onde vem a falecer.
Pesquisa: André A.

sábado, 9 de janeiro de 2010

JIDDU KRISHNAMURTI




" A verdade é uma terra sem caminho. Os homens dela não se podem aproximar por qualquer organização, por qualquer credo, por qualquer dogma, sacerdote, ou ritual, nem por qualquer conhecimento filosófico ou técnica psicológica. Ele, o homem, tem de encontrar a verdade através do espelho das relações, através do percebimento do conteúdo da sua própria psique, pela observação, e não por qualquer dissecação intelecutal e analítica."

Jiddu Krishnamurti


Filósofo e educador indiano ( 1895-1986)



Jiddu Krsinamurti nasceu no sul da Índia em 1895. Ainda menino, foi " descoberto" pelo clarividente Charles Webster Leadbeater como a pessoa que tinha a aura mais pura jamais vista por ele em um ser humano. Adotado por líderes da Sociedade Teosófica da época e apresentado ao mundo como o novo instrutor espiritual da humanidade, dissolveu a organização que fora criada em torno de si, que reunia aqueles que acreditavam na vinda do novo messias, devolvendo ricas propriedades que lhe haviam sido doadas, sustentando que não pretendia criar uma nova igreja, mas que seu trabalho era o de ajudar a tornar os homens incondicionalmente livres.

Ao longo de toda a sua vida, até seu falecimento em 1986, Krishnamurti viajou por diversas partes do mundo, tratando de temas de vital interessse para a vida de cada ser humano, questionando profundamente a estrutora de pensamento, do "eu" e dos condicionamentos enraizados em nossas próprias mentes.

Fonte: Centro De Estudos Krishnamurti - Brazlândia, DF, Brasil.