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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

INTROIBO

 


OLAVO BILAC

Sinto às vezes, à noite, o invisível cortejo
De outras vidas, num caos de clarões e gemidos:
Vago tropel, voejar confuso, hálito e beijo
De cousas sem figura e seres escondidos...

Miserável, percebo, em tortura e desejo,
Um perfume, um sabor, um tacto incompreendidos,
E vozes que não ouço, e cores que não vejo,
Um mundo superior aos meus cinco sentidos.

Ardo, aspiro, por ver, por saber, longe, acima,
Fora de mim, além da dúvida e do espanto!
E na sideração, que, um dia, me redima,

Liberto flutuarei, feliz, no seio etéreo,
E, ó Morte, rolarei no teu piedoso manto,
Para o deslumbramento augusto do mistério.


ÓLEO SOBRE TELA-   Van Gogh 

sábado, 24 de setembro de 2011

T- BONE, O FILÉ CULTURAL

CRÔNICA DA CIDADE- 20/09/2011 , SEVERINO FRANCISCO
CORREIO BRAZILIENSE
Se alguém me perguntasse quem são os 10 mais admiráveis cidadãos brasilienses que conheço, eu apontaria, sem titubear, o baiano Luiz Amorim, proprietário do Açougue T-Bone, como um dos nomes a figurar na lista. Em Brasília, os poderosos costumam sugar a carótida da cidade como se fossem condes dráculas, sem doar absolutamente nada em troca. Nesse cenário, Amorim é um exemplo de consciência coletiva, sensibilidade social, generosidade e audácia.

Numa cidade em que se privatiza tudo, em que alguns se acham donos das avenidas, das calçadas, da orla do Lago, da noite e até do silêncio, ele vai na contramão e realiza projetos culturais verdadeiramente de qualidade, com acesso gratuito, demostrando que popular não é (necessariamente) sinônimo de porcaria. Não é por acaso. Luiz se alfabetizou no açougue, lendo Aristóteles, Platão, Plotino e outros filósofos gregos, aprendendo que o homem é um animal político e que o lugar da democracia é a praça pública.

Ele está no lugar certo, pois os criadores de Brasília, Lucio Costa e Oscar Niemeyer, também pensavam assim, reservando amplos espaços para manifestações coletivas políticas, culturais e festivas, em escala monumental. Lucio não estava mais vivo quando surgiram as Noites Culturais do T-Bone, mas ele escreveu sobre o Projeto Cabeças, em que os jovens ocupavam as superquadras com música, performances e arte, na década de 1980: “Enquanto os maiorais, confinados nas suas monumentais redomas, brincam de administração e política, no ar livre das quadras das áreas de vizinhanças, esses bons samaritanos ensinam os usuários da cidade a vivê-la”.

As Noites Culturais do T-Bone são, em certo sentido, um desdobramento dos concertos do Projeto Cabeças. A diferença de Luiz Amorim é que ele transforma os sonhos em realidade rapidamente. E foi assim que, num típico impulso de nordestino delirante, idealizou e montou as bibliotecas populares nas paradas dos ônibus.  Pela primeira vez, qualquer cidadão teve, efetivamente, acesso direto ao livro, sem necessitar de qualquer burocracia. O processo é educativo, quem não devolve tem a clara consciência de que está praticando um crime contra a comunidade.
Luiz Amorim pensa grande e, por isso, a comunidade abraça os seus projetos. As Noites Culturais começaram como pequenos saraus, mas, agora, os shows reúnem de 8 a 10 mil pessoas na 312 Norte. Brasília clama por lazer gratuito, vida comunitária e cultura que eleve o espírito. Os shows de músicos de ponta nas salas de espetáculo nobres da cidade custam de 300 surreais para cima.

Claro que qualquer festinha ou festa, em casa ou na rua, altera a rotina e causa transtornos circunstanciais. E desconfio que, por morarmos em uma cidade organizada demais, nós, brasilienses, sofremos de uma síndrome do medo de qualquer alteração da rotina. Mas, como bem disse Luiz Amorim: receber Milton Nascimento na porta de casa é um luxo. Encantados com essas celebrações cívicas nas superquadras da capital do país, Tom Zé, Lenine, Milton Nascimento e outros que tocam nos melhores palcos do mundo estão se autoconvidando, generosamente, para tocar nas Noites Culturais do T-Bone.

Música não é sinônimo de barulho. Brasília não pode ser conhecida apenas pelos currais eleitorais e pela lama que eles espalham na imagem da cidade. Precisa ser reconhecida também como um lugar onde as pessoas amam a arte, a cultura, a inteligência e os lumes do espírito.

Vamos apoiar o Luiz Amorim para  que ele continue a nos oferecer os seus magníficos e democráticos filés filosóficos, literários, poéticos e musicais.

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

A TORRE SOLAR DAS OLIMPÍADAS DE 2016






Um dos primeiros esboços arquitectónicos para os Jogos Olímpicos de 2016, que se realizarão no Rio de Janeiro e destaca-se pela sua sustentabilidade. Desenhada pelo gabinete RAFAA sedeado em Zurique, consegue gerar energia durante o dia e a noite, utilizando a energia solar e a hídrica, respectivamente. Esta torre irá gerar e fornecer energia não só para a aldeia olímpica, como também o Rio.


A Solar City Tower engloba : Anfiteatro, auditório, cafetaria e lojas são acessíveis no piso térreo, a partir do qual se acede igualmente ao elevador público que conduzirá os visitantes a vários observatórios, assim como a uma plataforma retráctil para a prática de bungee jumping.



No cimo da torre é possível apreciar toda a paisagem que circunda a ilha onde estará implementada, bem como a queda de água gerada por todo o sistema que integra a Solar City Tower, tornando-a num ponto de referência dos Jogos Olímpicos de 2016 e da cidade do Rio de Janeiro.



DIVERGÊNCIAS



FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER


Lembre-se de que as outras pessoas são diferentes e, por isso mesmo, guardam maneiras próprias de agir.

Esclarecer à base de entendimento fraterno-  sim, polemizar, não.
Antagonizar sistematicamente é um processo exato de angariar aversões.

Você pode claramente discordar sem ofender, desde que fale apreciando os direitos do opositor.

Afaste as palavras agressivas do seu vocabulário.

Tanto quanto nos acontece, aos outros querem ser eles mesmos na desincumbência dos comrpomissos que assumem.
Existem inúmeros meios de auxiliar sem ferir.

Geralmente nunca se discute com estranahos e sim com as pessoas queridas: visto isso, valeria a pena atormentar aqueles com quem nos cabe viver em paz?

Aprendamos a ceder em qualquer problema secundário, para sermos fiéis às realidades essenciais.

Se alguém diz que a pedra é madeira, é justo se lhe acate o modo de crer, mas se alguém toma a pedra ou a madeira para ferir a outrem, é importante argumentar quanto à impropriedade do gesto insano.

Do Livro- Sinal Verde

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

RECADO DA TERESA E DO FERNANDO PASSOS






«Nós somos os filhos das Mulheres. Têm uma paciência infinita para as nossas Brincadeiras.
Fizeram-nos para o mundo. No centro e na periferia da vida lá estão as Mulheres.
No caminho, entre ambos, também. Da Terra Nova ao Chile, do Brasil ao Japão,
de Marrocos ás Molucas, as Mulheres portuguesas fizeram o mundo.»



PARABENS AO MATEUS PELO SEUS 19 ANOS, NO DIA 19 DO 9º MÊS!
COINCIDÊNCIA QUE DEVERÁ SER UM MARCO BOM NA VIDA DO NOSSO AMIGO
MESMO SÓ EM ESPÍRITO, E NÃO SERÁ O ESPÍRITO O MAIS IMPORTANTE DE NÓS?
PARABÉNS À LUISA, MÃE TODA FEITA DE ALMA A
TRANSPARECER DOÇURA, MUITO ESPECIAL. PARABÉNS IGUALMENTE PARA SEU PAI.

Para o Mateus e sua mãe aqui vai uma passagem de F. Carvalho Rodrigues (Físico, autor do livro "Convoquem A Alma"):

Um abraço de Parabéns do Fernando.

O voto de que este dia seja um dia de Alegria,
um novo princípio, uma nova e grande travessia do deserto
para chegar a um magnífico oásis!

domingo, 18 de setembro de 2011

A HORA DO LODO



Luiz Martins da Silva

Um uivo me desperta, a índole do lobisomem.
É quando todo o peso do mundo sobrevém.
A orbe, esfera magma, pesa-me sobre os nervos,
Atlas ergue o mundo acima dos meus ombros!


Se sinto, sou; se sou, sinto: emito o som de um guincho!
Revirando a existência, busco no monturo,
Um caco no lixo que me espelhe menos monstro,
No fundo de um funil, algo feito que me redima.

Sou, tão somente sou, medida de uma condição,
Hora de buscar, no abissal vão do desespero,
Nesgas de virtudes em meio à legião de tantos erros.

No porão da consciência, um vulto, semblante de aleijão;
Metade anjo, metade lobo; o sábio ficou bobo;
O sóbrio é um bêbado, afogando-se em vômitos de lodo.

sábado, 10 de setembro de 2011

ENERGIA CÓSMICA UNIVERSAL



"Somos consciências quânticas habitando receptáculos de matéria condensada. Se não fosse dessa forma, não poderíamos expressar a nossa presença nesta dimensão densificada. Entretanto, nosso potencial não está na densidade, mas sim, na sutileza da composição química, fisica e biológica dos nossos centros de força, os quais estão conectados a toda energia universal. Assim, devemos nos perceber como seres sutis, pois a nossa permanência na criação se dá por infinitos feixes de quanta gravados nas dimensões e infradimensões eternas. "

Gesiel Albuquerque : link

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

EQUÍVOCOS LITERÁRIOS- No caminho com Maiakóvski




NO CAMINHO, COM MAIAKÓVSKI

Assim como a criança
humildemente afaga
a imagem do herói,
assim me aproximo de ti, Maiakósvki.
Não importa o que me possa acontecer
por andar ombro a ombro
com um poeta soviético.
Lendo teus versos,
aprendi a ter coragem.

Tu sabes,
conheces melhor do que eu
a velha história.
Na primeira noite eles se aproximam
e roubam uma flor
do nosso jardim.
E não dizemos nada.
Na segunda noite, já não se escondem:
pisam as flores,
matam nosso cão,
e não dizemos nada.
Até que um dia,
o mais frágil deles
entra sozinho e nossa casa,
rouba-nos a luz e,
conhecendo nosso medo,
arranca-nos a voz da garganta.
E já não podemos dizer nada.

Nos dias que correm
a ninguém é dado
repousar a cabeça
alheia ao terror.
Os humildes baixam a cerviz:
e nós, que não temos pacto algum
com os senhores do mundo,
por temor nos calamos.
No silêncio de meu quarto
a ousadia me afogueia as faces
e eu fantasio um levante;
mas amanhã,
diante do juiz,
talvez meus lábios
calem a verdade
como um foco de germes
capaz de me destruir.

Olho ao redor
e o que vejo
e acabo por repetir
são mentiras.
Mal sabe a criança dizer mãe
e a propaganda lhe destrói a consciência.
A mim, quase me arrastam
pela gola do paletó
à porta do templo
e me pedem que aguarde
até que a Democracia
se digne aparecer no balcão.
Mas eu sei,
porque não estou amedrontado
a ponto de cegar, que ela tem uma espada
a lhe espetar as costelas
e o riso que nos mostra
é uma tênue cortina
lançada sobre os arsenais.

Vamos ao campo
e não os vemos ao nosso lado,
no plantio.
Mas no tempo da colheita
lá estão
e acabam por nos roubar
até o último grão de trigo.
Dizem-nos que de nós emana o poder
mas sempre o temos contra nós.
Dizem-nos que é preciso
defender nossos lares,
mas se nos rebelamos contra a opressão
é sobre nós que marcham os soldados.

E por temor eu me calo.
Por temor, aceito a condição
de falso democrata
e rotulo meus gestos
com a palavra liberdade,
procurando, num sorriso,
esconder minha dor
diante de meus superiores.
Mas dentro de mim,
com a potência de um milhão de vozes,
                        o coração grita - MENTIRA!

Nota: parte do Poema acima, atribuído a Vladmir  Maiakóvisk( poeta russo) ou a Bertold Brecht na verdade foi escrito pelo poeta brasileiro EDUARDO ALVES DA COSTA , nascido em Niterói  em 1936.
O texto abaixo, com a mesma ressonância poética é de Bertold Brecht:

Primeiro levaram os negros.
Mas não me importei com isso.
Eu não era negro.
                                               Em seguida levaram alguns operários.
                                             Mas não me importei com isso.
                                              Eu também não era operário.
                                              
                                              Depois prenderam os miseráveis.
                                              Mas não me importei com isso.
                                              Porque eu não sou miserável.
                                              Depois agarraram uns desempregados.
      Mas como tenho meu emprego, também não me importei.
      Agora estão me levando.
       Mas já é tarde.
        Como eu não me importei com ninguém.
         Ninguém se importa comigo.
Bertold Brecht  (1898-1956).